A economia chinesa sofreu uma desaceleração acentuada no quatro trimestre de 2008 e o banco central japonês disse que o país pode enfrentar dois anos de deflação, claros sinais do impacto da crise financeira global sobre as maiores economias da Ásia. O Banco do Japão reduziu, nesta quinta-feira, suas estimativas econômicas. Agora, o banco central japonês projeta dois anos de contração para a segunda maior economia do mundo até março de 2010. A estimativa foi divulgada horas depois do governo informar que as exportações do país registraram queda recorde em dezembro.
Um exemplo de como a crise tem afetado as economias asiáticas extremamente dependentes das exportações veio da Sony Corp, que estimou um prejuízo operacional de aproximadamente US$ 3 bilhões para o ano fiscal de 2008/2009. A sul-coreana Hyundai Motor, por sua vez, registrou uma queda em seu lucro, enquanto a LG Eletronics teve seu primeiro prejuízo líquido em sete trimestres.
– Com a desaceleração do crescimento na Ásia e em outras economias emergentes, não há nada para dar suporte às exportações japonesas – afirmou Yoshiki Shinke, economista sênior da Dai-ichi Life Research Institute.
As exportações japonesas amargaram uma queda de 35 por cento em dezembro, na comparação anual, enquanto o BC resolveu manter em 0,10 por cento a taxa básica de juro do país. Mas a autoridade monetária japonesa anunciou uma série de medidas para tentar aliviar o processo de aprofundamento da recessão. Um das ações será a compra de títulos corporativos para tentar trazer alívio às empresas que sofrem com a falta de crédito. Ao mesmo tempo, o BC alertou que o processo de deflação está voltando pela segunda vez na década.
"A economia do Japão está piorando marcadamente e é esperado que a deterioração continue no curto prazo", afirmou o BC em comunicado.
Na China, que tem sido o principal motor do crescimento nos últimos anos, a taxa de expansão anual do Produto Interno Bruto (PIB) caiu para 6,8% no quatro trimestre, ante 9,0% no trimestre anterior. Com isso, a taxa de crescimento para todo o ano de 2008 ficou em 9,0%, a menor em sete anos, encerrando um ciclo de cinco anos de expansões com taxas de dois dígitos. Para ilustrar a extensão da desaceleração, a economia chinesa havia crescido 13,0 por cento em 2007, superando a Alemanha como a terceira maior economia do mundo.
A agência de estatísticas chinesa disse que a crise financeira continua a se espalhar pela economia do país.
– A desaceleração do crescimento está além do consenso do mercado, o que representa um grande desafio para a meta de crescimento deste ano de 8% – afirmou Jin Yanshi, economista-chefe da Sinolink Securities, em Xangai.