O primeiro-ministro da China sinalizou no sábado que seu país está disposto a resolver uma antiga disputa fronteiriça e aumentar o comércio com a Índia, ao iniciar uma visita de quatro dias ao país.
Wen Jiabao chegou no sábado, Ano Novo hindu, numa Bangalore festiva, cidade cujos centros de software contribuíram para que a Índia, como a China, se tornasse uma das economias que crescem mais rapidamente no mundo.
O premiê disse que a China está disposta a trabalhar com a Índia para "resolver questões deixadas pela história".
"Espero que minha visita injete um novo vigor e vitalidade nas relações entre a China e a Índia," acrescentou.
As relações entre os dois países mais populosos do mundo estão mais calorosas do que nunca. A mais óbvia manifestação da amizade renovada pode ser um acordo sobre "princípios e diretrizes" para resolver uma disputa na fronteira no Himalaia, de 3.500 quilômetros, que já causou uma breve guerra entre os dois países, em 1962.
Wen deve se encontrar com o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, na segunda-feira.
O premiê, que está num tour pelo Sudeste Asiático, que já o levou a Bangladesh, Paquistão e às áreas atingidas pelo tsunami no Sri Lanka, deve visitar no domingo importantes centros de software em Bangalore, antes de viajar para Delhi.
Wen e sua comitiva de 150 pessoas vão discutir formas de expandir o comércio entre as duas economias que mais crescem no mundo e a possibilidade da criação, posteriormente, de uma área de livre comércio entre os dois países.
Os dois países, uma república comunista de partido único e a maior democracia do mundo, estão distantes em termos políticos, mas o comércio entre eles cresce rapidamente, a uma taxa de 30 por cento ao ano nos últimos oito anos, e pode passar dos atuais US$ 13 bilhões de dólares para mais de 30 bilhões de dólares até 2010.
China e Índia conseguiram forjar laços econômicos impressionantes, mas as suspeitas do passado ainda existem, entre elas as preocupações de Nova Delhi com a ajuda militar chinesa para seu arquiinimigo, o Paquistão.
A Índia também teme que bens baratos da China inundem sua economia, enquanto que Pequim tenta superar a revolução de terceirização conseguida pela Índia devido à disponibilidade de trabalhadores que falam inglês e têm salários muito menores que os ocidentais.