Rio de Janeiro, 11 de Outubro de 2026

China diz que Sarkozy pagará caro por encontro com o Dalai Lama

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, pagará caro por se encontrar com o Dalai Lama, alertou um jornal estatal chinês na segunda-feira, mantendo a posição oficial de Pequim contra a aproximação de Paris com o líder espiritual tibetano no exílio.(Leia Mais)

Segunda, 08 de Dezembro de 2008 às 09:18, por: CdB

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, pagará caro por se encontrar com o Dalai Lama, alertou um jornal estatal chinês na segunda-feira, mantendo a posição oficial de Pequim contra a aproximação de Paris com o líder espiritual tibetano no exílio.

A China vê o Dalai Lama, um monge budista de 73 anos, como um perigoso separatista, e reagiu com indignação ao encontro dele com Sarkozy no sábado. Sarkozy, cujo país preside a União Européia neste semestre, disse ao Dalai Lama na Polônia que a Europa compartilha das preocupações com o Tibete, de onde o líder budista fugiu depois de uma frustrada rebelião popular contra o regime comunista, em 1959.

O vice-chanceler chinês, He Yafei, disse no domingo que caberá à França "entender completamente os danos" à relação bilateral por causa do encontro.

Na segunda-feira, a edição internacional do Diário do Povo reiterou o alerta de que a China não esquecerá tão facilmente esse encontro. O jornal acusou Sarkozy de oportunismo político e de ameaçar os interesses chineses.

"Ele ignorou as repetidas súplicas da China e teimosamente se recusou a mudar, firmemente determinado a ultrapassar o limite da China", disse o jornal, porta-voz do Partido Comunista, em editorial.

"Esta maliciosa provocação preocupa os interesses centrais da China com a unidade nacional, e inevitavelmente exigirá um alto preço", disse o texto.

O Dalai Lama costuma se encontrar com muitos chefes de Estado ocidentais, inclusive o norte-americano George W. Bush. Mas a China parece cada vez mais impaciente com a pressão ocidental a respeito do Tibete, ocupado pelo Exército de Libertação Popular (tropas comunistas chinesas) em 1950.

O regime chinês parece especialmente irritado com o fato de Sarkozy ter encontrado o Dalai Lama enquanto ocupa a presidência da UE. 

O Diário do Povo acusou Sarkozy de realizar o encontro para recuperar popularidade em seu país. "Sarkozy está tendo dificuldades. A economia está em declínio, o desemprego disparou, e suas taxas de aprovação despencaram", enumerou o jornal. "Então Sarkozy se aproveitou das questões dos direitos humanos e do Tibete, desejando agitar as coisas para desviar a atenção da opinião pública."

Tags:
Edições digital e impressa