O ministro chinês de Comércio, Bo Xilai, afirmou, nesta segunda-feira, que as restrições da União Européia (UE) e EUA às importações de têxteis chineses "carecem de fundamento" e acusou Bruxelas e Washington de não terem se preparado a tempo para o desaparecimento de cotas de 1º de janeiro.
O ministro chinês convocou uma entrevista coletiva urgente nesta segunda-feira para explicar o cancelamento, pelo Ministério de Finanças chinês, das tarifas à exportação de 81 categorias de produtos têxteis chineses, em resposta às medidas protecionistas que a UE está preparando, segundo Pequim.
Bo disse que Pequim "não aceitará" essas medidas se não houver consultas prévias entre as partes, e acrescentou que nem a UE nem os EUA cumpriram as precondições requeridas pela adesão da China à Organização Mundial do Comércio, que só permite a seus membros limitar a entrada de têxteis chineses sob três condições.
As condições são um aumento drástico na importação de têxteis chineses nos mercados, que afete os preços gerais dos têxteis e danos às empresas nacionais do setor, premissas que segundo Bo não foram cumpridas.
"Os EUA e a UE aplicaram incorretamente o artigo 242 sobre a adesão da China à OMC", no qual são estipuladas as condições, destacou o ministro, que assinalou que nem Washington nem Bruxelas apresentaram evidências suficientes para estabelecer medidas protecionistas.
A OMC levantou as cotas ao têxtil no mundo todo em 1º de janeiro, data na qual Pequim estabeleceu tarifas à exportação de 1,3% como média a 148 categorias de têxteis, medida que foi considerada insuficiente pela UE e EUA Bo reconheceu que há desacordos nas análises do mercado têxtil efetuados pela China, UE e EUA, mas destacou que essas diferenças "requerem comunicação" entre as partes afetadas.
- O governo chinês considera que as empresas nacionais têm que ser tratadas com justiça, sem duplas pressões. Se EUA e UE subestimaram as medidas adotadas por Pequim, desenvolveremos nossa própria política - acrescentou.