Rio de Janeiro, 20 de Setembro de 2026

China disputa poder na Ásia mas EUA tentam manter política hegemônica

Segunda, 30 de Setembro de 2013 às 04:50, por: CdB
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A China, hoje, detém um poderio militar equiparável ao das grandes potências
O acadêmico Hugh White advertiu o presidente norte-americano, Barack Obama, sobre suas “más escolhas” para a região do Pacífico. White, professor de Estudos Estratégicos na Universidade Nacional Australiana de Canberra, esteve em Beijing, na China, onde deu declarações ao jornal China Daily, publicadas nesta segunda-feira. Para ele, os EUA “arriscam uma grande confrontação com a China ao tentar reafirmar sua dominância na Ásia”. Leia, a seguir, as principais declarações de White. O professor White afirmou preocupar-se com a possibilidade de a chamada estratégia de pivô asiático, de Obama, demonstrar ser um erro grave. – Vejo a política de pivô de Barack Obama como uma busca por reafirmar a primazia dos Estados Unidos como uma fundação para a ordem asiática frente ao crescente poderio da China – disse White. Consultor próximo do primeiro-ministro australiano Bob Hauke, White esteve em Beijing para falar das questões abordadas por seu novo livro, A opção pela China: Porque devemos Compartilhar o Poder (The China Choice: Why We Should Share Power), que critica Obama por não responder à nova ordem mundial criada pela ascensão econômica da China. – É improvável (que a política de Obama) seja bem sucedida, e poderia gerar um tipo de competição gradual que poderia aumentar o risco de conflito – diz o autor. White afirma que dar meia-volta em relação às preocupações anteriores dos Estados Unidos, com as guerras no Iraque e no Afeganistão, para mostrar suas garras na Ásia pode apenas antagonizar com relação à China, em uma época em que a relação com o país deve ser de conciliação. Para o professor, a abordagem é incorreta no estabelecimento de novas alianças, como a Parceria Trans-Pacífico, formada em 2008 para excluir a China deliberadamente, mas incluir atores periféricos, como o Peru e o México. – O problema com a política dos EUA em sua resposta à ascensão da China até agora é que há uma suposição muito firme de que os Estados Unidos têm de manter sua posição dominante, embora a China tenha mudado tanto as dinâmicas de poder subjacentes. Sobre a posição do seu próprio país nesta dinâmica, White diz: – A Austrália está exatamente na linha de frente. Nenhum país do mundo é tão dependente da China economicamente quanto a Austrália. Nenhum outro país do mundo é tão estrategicamente importante para a Austrália quanto os Estados Unidos. Somos um exemplo clássico de país que quer olhar para as duas direções. O professor critica ainda observadores políticos que superestimam o poderio militar dos Estados Unidos no Pacífico, simplesmente porque o gasto em Defesa dos Estados Unidos é 10 vezes maior do que o da China. Para ele, os chineses construíram uma capacidade de defesa marítima forte com submarinos, e agora tem, por exemplo, a capacidade de afundar porta-aviões dos EUA. – Os Estados Unidos não podem mais projetar o seu poderio pelo Oceano no Pacífico Ocidental, da forma que tem feito por tanto tempo. Eu acho que isso é muito significativo. Já sobre o alcance extra-regional, White afirma que a China tem demonstrado que pode usar o seu poder responsavelmente, e que acredita no seu engajamento positivo no continente africano. Tendo a pensar que há grande potencial na relação da China com a África, "e que ela pode ser um motor muito importante para o crescimento e o desenvolvimento no continente”, disse. Entretanto, apesar do seu alcance econômico crescente, White disse acreditar que o maior foco da China continuará sendo em sua própria região, na Ásia, o que o leva a enfatizar na necessidade de os Estados Unidos conduzirem uma política de aproximação e conciliação, e não de confrontação.
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