Rio de Janeiro, 31 de Outubro de 2026

China dialogará sobre Tibet, diz enviado do Dalai Lama

A China deverá anunciar em breve uma data para retomar conversas formais com representantes do Dalai Lama sobre a questão da autonomia do Tibet, afirmou nesta quinta-feira em Dharamsala, na Índia, o porta-voz do líder espiritual budista. (Leia Mais)

Quinta, 08 de Maio de 2008 às 06:34, por: CdB

A China deverá anunciar em breve uma data para retomar conversas formais com representantes do Dalai Lama sobre a questão da autonomia do Tibete, afirmou nesta quinta-feira em Dharamsala, na Índia, o porta-voz do líder espiritual budista.

O encontro será a sétima rodada de negociações numa série que teve início em 2002 e foi interrompida em 2007.

No último fim de semana, enviados do Dalai Lama e autoridades chinesas se encontraram em Shenzhen, no sul da China, para dialogar.

Esse encontro, porém, foi informal e não faz parte das negociações oficiais, que estão suspensas desde o ano passado.

– Um entendimento foi alcançado para dar continuidade às rodadas formais de discussão. Uma data para a sétima rodada será finalizada em breve após consultas mútuas –, informou numa declaração Lodi Gyari, o enviado do Dalai Lama.

Compromisso

O enviado disse também que a China demonstrou estar disposta a “se comprometer” nas negociações por maior autonomia ao Tibete, entretanto ainda há “grandes diferenças sobre pontos chave”, o que inviabiliza uma solução imediata.

Apesar das divergências, ambas partes “demonstraram vontade de buscar abordagens comuns”, reforçou Lodi Gyari.

O lado budista revelou que pediu à China que liberte prisioneiros tibetanos e pare de promover “reeducação patriótica” – o estudo forçado dos “valores” da China e, em casos extremos, o envio de condenados por crimes de “incitação das massas” ou “rebeldia” a campos de trabalhos forçados.

– Pedimos que libertem os prisioneiros, para que os feridos recebam tratamento médico apropriado –, justificou Gyari.

Protestos

O encontro de domingo foi o primeiro entre representantes do Dalai Lama e autoridades chinesas desde meados de março, quando uma onda de protestos violentos teve início no Tibete e se espalhou para outras regiões, deixando dezenas de mortos e feridos e centenas de manifestantes detidos por tempo indeterminado, segundo números do governo da China.

As razões por trás da inquietação são vistas de maneira diversa por chineses e tibetanos.
Os chineses acusam o Dalai Lama de ter arquitetado os protestos para causar confusão e promover o separatismo às vésperas dos Jogos Olímpicos.

Os partidários do líder budista, porém, negam envolvimento e defendem que se trata de “um sintoma claro das profundas mágoas e ressentimentos dos tibetanos” contra a dominação chinesa.

Segundo Lodi Gyari, essas opiniões divergentes foram “expressas de maneira franca e sincera” pelos dois lados durante as conversas em Shenzhen.

Disposição

Pequim mostrou disposição para dialogar com os representantes do lado tibetano após forte pressão da comunidade internacional, que criticou a ação de repressão aos protestos na capital da região, Lhasa.

O governo do Tibete no exílio afirma que 203 tibetanos foram mortos e cerca de mil ficaram feridos durante a onda de repressão.

A China refuta esses números e afirma que manifestantes tibetanos agrediram chineses da etnia Han, matando 21 pessoas inocentes e causando prejuízos de milhões de iuans.

Tags:
Edições digital e impressa