China critica elevados gastos militares dos EUA como causa da queda no rating
A mídia estatal da China disse nesta segunda-feira que os enormes gastos militares dos Estados Unidos são os culpados pela crise que levou ao rebaixamento do rating (nota de risco sobre a dívida) do país.
A mídia estatal da China disse nesta segunda-feira que os enormes gastos militares dos Estados Unidos são os culpados pela crise que levou ao rebaixamento do rating (nota de risco sobre a dívida) do país. A agência de notícias Xinhua advertiu os EUA para não tentar estimular as exportações por meio do enfraquecimento do dólar, algo que teria impacto dramático sobre a China, já que cerca de 70% das reservas internacionais chinesas estão investidas em ativos denominados na moeda norte-americana.
A China também tem um gasto pesado com suas forças armadas de 2,3 milhões de pessoas, voltando a um aumento de dois dígitos neste ano. Isso gera desconforto entre os vizinhos e nos EUA. Em cerca de US$ 93,5 bilhões para 2011, o orçamento chinês de defesa ainda é pequeno em relação ao dos EUA. Em fevereiro, o Pentágono cedeu um orçamento de US$ 553 bilhões para o ano fiscal de 2012, embora o governo de Barack Obama esteja procurando reduzir os gastos militares.
"Precisa ser compreendido que se os EUA, a Europa e outras economias avançadas não conseguirem arcar com sua responsabilidade e continuarem com sua confusão incessante em torno de interesses egoístas, isso seriamente impedirá o desenvolvimento estável da economia global", dizia um artigo do jornal People's Daily, porta-voz principal do Partido Comunista chinês.
Ação necessária
Na Europa, os chefes financeiros das maiores economias do mundo prometeram no domingo tomar qualquer ação que for necessária para estabilizar os mercados, abalados pelas crises de dívida na Europa e nos Estados Unidos. O G7 – formado por EUA, Grã-Bretanha, Canadá, França, Alemanha, Itália e Japão, disse, após consultas telefônicas, que pretende manter contato e que está pronto para assegurar a estabilidade e a liquidez dos mercados financeiros.
O grupo dos sete países disse que isso pode incluir ações conjuntas nos mercados de câmbio, se necessário, porque "movimentos desordenados... têm efeitos adversos para a estabilidade econômica e financeira".
Sem repique
Enquanto isso, aqui no Brasil, o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland, afirmou nesta segunda-feira não acreditar que o dólar sofrerá um overshooting no mercado doméstico por conta do atual cenário internacional. Ele acrescentou, no entanto, que deve acontecer mais volatilidade nos próximos dias.
– Os mercados ficam um pouco mais voláteis, mas não é nenhuma tragédia em definitivo... Na perspectiva do câmbio, não há nenhum cenário de desvalorização acentuada – afirmou o secretário ao participar de evento em Brasília.
O secretário disse ainda que a atual crise somente traria impactos na economia real se houver problemas em bancos e se o processo de deflação de ativos for persistente.
– Mesmo assim, o efeito sobre o lado real só pode acontecer efetivamente se houver efeito sobre bancos comerciais e de investimento internacionais – disse ele, acrescentando que nesse caso haveria impacto sobre o crédito.
O secretário, no entanto, disse que esse cenário não é o enxergado neste momento.
– Mas isso está fora do cenário atual. Estamos vendo com muita tranquilidade, relativa tranquilidade, a situação atual. O que está acontecendo é um desdobramento da crise de 2008 – concluiu.
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