Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

China aplaude acordo negociado pelo Brasil

Apesar do tradicional ceticismo chinês, a maior república comunista do planeta anunciou, nesta terça-feira, seu voto favorável ao acordo para a troca de combustível nuclear iraniano em território turco, assinado na véspera por Irã, Brasil e Turquia. A reação da China, que se opõe às sanções pretendidas pelo Ocidente, rompe com o ambiente de dúvidas demonstrado na véspera por outros países-membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Governos conservadores seguem na busca de novas sanções

Terça, 18 de Maio de 2010 às 07:46, por: CdB

Apesar do tradicional ceticismo chinês, a maior república comunista do planeta anunciou, nesta terça-feira, seu voto favorável ao acordo para a troca de combustível nuclear iraniano em território turco, assinado na véspera por Irã, Brasil e Turquia. A reação da China, que se opõe às sanções pretendidas pelo Ocidente, rompe com o ambiente de dúvidas demonstrado na véspera por outros países-membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

– Apoiamos o acordo, consideramos importante. Esperamos que isto ajude a promover uma solução pacífica à questão nuclear iraniana – declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Ma Zhaoxu.

O acordo assinado nesta segunda-feira determina que o Irã envie 1,2 mil quilos de urânio enriquecido a 3,5%, em troca de 120 quilos de urânio enriquecido a 20% na Rússia ou França – suficiente para a produção de isótopos médicos em seus reatores e muito abaixo dos 90% necessários para uma bomba. O urânio enriquecido seria devolvido ao Irã no prazo de um ano.

A troca deverá ocorrer na Turquia, país com que mantém laços diplomáticos com o Ocidente e o Irã, sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e vigilância iraniana e turca. A troca de urânio iraniano em solo exterior era tema da proposta feita pelo grupo dos 5+1 (Estados Unidos, Reino Unido, França, China, Rússia e Alemanha) em outubro passado, sob mediação da AIEA. Na época, o Irã rejeitou a proposta por falta de garantias da entrega do urânio enriquecido e, em fevereiro passado, iniciou o enriquecimento de urânio a 20% em seu próprio território.

Sanções

Embora as grandes potências permaneçam céticas em relação ao acordo mediado por Brasil e Turquia, as recentes negociações lideradas pelo Brasil têm o poder de, gradativamente, reduzir os níveis de tensão internacional. Um porta-voz do Departamento de Estado norte-americano disse que Washington mantém o desejo de "se envolver com o Irã em qualquer lugar, a qualquer momento, desde que o Irã esteja preparado para tratar as preocupações da comunidade internacional a respeito do seu programa nuclear". Mas esse mesmo porta-voz disse que, por enquanto, os EUA continuarão buscando novas sanções.

A AIEA, principal instância da ONU para a questão nuclear preferiu avaliar os termos do acordo antes de qualquer manifestação. Diplomatas disseram em Viena, sede da agência, que aparentemente a Agência ainda não foi informada convenientemente sobre os detalhes do acordo.

Medvedev, após o encontro com o presidente brasileiro, conversou com Lula ao telefone após o fechamento do acordo com os iranianos e "avaliou positivamente os esforços conjuntos do Brasil e da Turquia para promover uma solução política e diplomática para o problema nuclear iraniano", segundo comunicado do Kremlin.

"Depois disso, precisamos decidir o que fazer: as propostas são suficientes ou é preciso algo mais? Então acho que uma pequena pausa nesse problema não faria mal nenhum", afirmou o presidente russo.

O presidente iraniano, Mamhoud Ahmadinejad, pediu ao 5+1 que reabram negociações com o seu país.

– Eles deveriam saudar o grande evento que ocorreu em Teerã e se distanciarem da atmosfera de pressão e sanções para criar uma oportunidade para a interação e a cooperação com o Irã – concluiu Ahmadinejad.

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