As autoridades chinesas admitiram nests segunda-feira que os tribunais do país executam 10 mil pessoas por ano, cinco vezes mais que os demais países do mundo juntos. As mesmas autoridades, contudo, admitiram que cogitam a possibilidade de reduzir a aplicação desta pena devido às crescentes críticas.
"Os 10.000 casos de pena de morte resultam em uma execução imediata'', assegurou Chen Zhonglin, representante da Assembléia Nacional Popular (ANP, legislativo) pela cidade de Chongquing, em declarações ao ''Diário da Juventude Chinesa''. Este número dobra e triplica nas estatísticas em poder de grupos de defesa dos direitos humanos, como a Anistia Internacional (AI) e o Mãos de Caim, cuja presença está vetada na China.
O ministro chinês de Segurança Pública, Luo Gan, divulgou na semana passada um comunicado na qual pedia às autoridades provinciais a redução, na medida do possível, da aplicação da pena capital.
Esta medida, que pode tirar dos tribunais locais a prerrogativa de executar os réus, pretende limpar a imagem do regime comunista chinês como um dos maiores violadores dos direitos humanos do mundo.
Chen apresentou, junto com outros 40 parlamentares, uma proposta na qual os Governos provinciais devem verificar, em todos os casos, as sentenças de morte junto ao Supremo Tribunal. Atualmente, mais de 300 tribunais de Justiça locais têm poder para executar criminosos condenados à morte, seja com uma injeção letal, com um tiro na nuca ou com o uso da forca.