Em nota distribuida neste domingo, a China acusou o Dalai Lama de incentivar o terror no Tibet e conspirar com os separatistas da etnia Uigur, em Xinjiang, em meio a uma intensa luta para garantir a segurança no país dominado desde 1951. Às vésperas dos Jogos Olímpicos, insurgentes realizam protestos em diversos pontos do mundo. As manifestações contra o governo comunista chinês, lideradas por monges budistas, começaram na capital do Tibet, Lhasa, em 10 de março. Tropas de choque chinesas reprimiram as manifestações, durante as quais morreram - segundo admitiu o governo de Pequim - 18 pessoas.
Nas províncias de Sichuan e Gansu, principalmente, tropas mantém o patrulhamento ostensivo pelas ruas das principais cidades, escolas e monastérios budistas. Informes oficiais da China, distribuídos também neste domingo, admitem que 94 pessoas foram atingidas em Gansu, na maioria policiais, de acordo com a agência chinesa de notícias Xinhua. A polícia denunciou a descoberta de um rifle semi-automático, com uma bala no pente, na região de Gannan, em Gansu. Segundo a agência, tratava-se do esconderijo de um "criminoso', em uma reportagem que repetiu as ofertas do governo de clemência a quem se render.
Segundo o líder budista do Tibet no exílio, Dalai Lama, a violência é desnecessária e ele quer conversar com a China para negociar a autonomia do seu país, e não a completa independência, num modelo parecido com Hong Kong. O governo chinês, no entanto, ampliou seus esforços de marketing para passar a idéia de que o Dalai Lama, e não falhas na política governamental, causaram o problema e que ele quer estragar a festa dos Jogos Olímpicos, em agosto.