Rio de Janeiro, 05 de Setembro de 2026

Chileno Insulza é eleito novo secretário-geral da OEA

O ministro do Interior do Chile, José Miguel Insulza, foi eleito na segunda-feira o novo secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), depois da desistência de seu oponente, o chanceler mexicano Luis Ernesto Derbez. Insulza obteve 31 dos 34 votos da banca. (Leia Mais)

Segunda, 02 de Maio de 2005 às 13:10, por: CdB

O ministro do Interior do Chile, José Miguel Insulza, foi eleito na segunda-feira o novo secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), depois da desistência de seu oponente, o chanceler mexicano Luis Ernesto Derbez.

Insulza obteve 31 dos 34 votos dos integrantes da OEA, uma entidade que cuida da preservação da democracia, da paz e dos direitos humanos no continente. A eleição exigia um mínimo de 18 votos.

Antes da votação, representantes dos governos de Bolívia e Peru manifestaram seu desagrado com a eleição de Insulza devido às divergências entre o Chile e ambos os países, respectivamente em questões de fronteira e na suposta venda de armas ao Equador.

- Este não é um momento feliz para ninguém, e é impossível entrarmos em consenso. O Peru votará em branco expressando nossa posição: a de paz e dignidade - disse o embaixador permanente do Peru na OEA, Alberto Borea.

Houve duas abstenções e um voto em branco.

Insulza e Derbez haviam se enfrentado em cinco eleições seguidas no dia 11 de abril, obtendo a mesma quantidade de votos entre si.

O ministro chileno, de 61 anos, foi eleito depois de um acordo fechado no dia 29 de abril, que provocou a desistência de Derbez e a adesão dos Estados Unidos e de outros países à candidatura de Insulza.

O Peru acusa o Chile de ter vendido armas ao Equador durante um conflito armado em 1995, apesar de ser avalista de um acordo de paz entre Lima e Quito assinado em 1942.

O Chile, que havia recebido uma nota de protesto do Peru durante o fim de semana sobre o assunto, disse que as vendas ocorreram em 1994, e não durante o conflito.

Além de enfrentar um processo de reformas na OEA, Insulza, um militante socialista e homem-forte dos três governos que administraram o Chile após o fim da ditadura, deve também cuidar da antiga e insistente exigência boliviana de retomar uma saída para o mar tomada pelo Chile numa guerra em 1879.

- Lamentavelmente não encontramos no Chile uma disposição para a solução do problema. Queremos ter certeza de que o novo secretário agirá de acordo com os mandatos da OEA e despojado de sua condição nacional - disse o chanceler da Bolívia, Juan Ignacio Siles, antes da votação.

Siles afirmou que não apoiaria o Chile por razões históricas, mas ressaltou que espera uma solução definitiva "para uma das poucas feridas que restam abertas no nosso hemisfério".
Insulza, advogado e formado em ciência política, disse ter uma proximidade especial com a Bolívia, inclusive com laços de família.

O novo secretário-geral da OEA ocupará o posto por cinco anos. O cargo tinha ficado vago em outubro de 2004, quando Miguel Angel Rodríguez, ex-presidente da Costa Rica, renunciou após acusações de corrupção em seu país, que lhe renderam a prisão domiciliar.

Tags:
Edições digital e impressa