Bachelet é franca favorita a voltar à Presidência do Chile
O Chile se prepara para um giro à esquerda nas eleições presidenciais de domingo, onde a popular e carismática ex-mandatária Michelle Bachelet se dirige à vitória na eleição presidencial. Algumas pesquisas apontam que alimentada pelo descontentamento com as políticas sociais do atual governo conservador, a candidata socialista, representando uma aliança que inclui desde comunistas a democratas, tem apoio suficiente para vencer no primeiro turno.
Mas outras sondagens não descartam outro cenário, onde Bachelet teria que disputar um segundo turno para assegurar a vitória, transformando-a na primeira mulher a governar o país pela segunda vez desde o fim da ditadura de 23 anos. No fim do governo do bilionário Sebastian Piñera, a candidata conseguiu capturar o eleitorado com promessas de reformas ambiciosas para mudar a face do Chile, um dos países mais estáveis da América Latina, mas com uma grande diferença entre ricos e pobres.
– No Chile desses anos temos sido confrontados com a necessidade de aprofundar a nossa democracia, tornando-a mais aberta e mais permeável. Também tem mostrado que é necessário que façamos as mudanças que permitem uma maior equidade – disse Bachelet em um recente fórum de empresários.
Grande chance
De acordo com as pesquisas, Bachelet tem grandes chances de garantir a vitória no primeiro turno. Mais de 13 milhões de chilenos estão habilitados a votar e a eleição marca a estreia, no pleito presidencial, do voto facultativo, que mudou o antigo sistema, no qual a inscrição eleitoral era voluntária, mas que, uma vez inscrito o eleitor, o voto se tornava obrigatório.
Não existem projeções exatas sobre o número de eleitores que comparecerão às urnas. As estimativas apontam para entre 7 e 9 milhões de pessoas. Diante da incógnita de participação, o presidente Sebastián Piñera fez um apelo ao voto.
Bachelet, uma socialista de 62 anos que em 2006 se tornou a primeira mulher a ocupar a Presidência do Chile, lidera com grande vantagem todas as pesquisas, com 47% das intenções de voto, e pode vencer no primeiro turno.
Dos seus oito adversários, a melhor colocada é a ex-ministra de direita Evelyn Matthei, com 14%.
– Temos que ganhar com ampla vantagem no primeiro turno. Queremos ganhar no primeiro turno porque temos muito a fazer – afirmou Bachelet no encerramento de sua campanha, na quinta-feira.
Médica e mãe divorciada, com três filhos, Bachelet representa a "Nova Maioria", uma aliança de socialistas, democratas cristãos e comunistas. A carismática ex-presidente promete um "novo ciclo" com várias reformas, com destaque para a tributária, a educacional e para uma nova Constituição que tem como objetivo acabar com o legado da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).
– O Chile mudou e é agora um país mais ativo e com maior consciência de seus direitos – declarou Bachelet em março, quando anunciou sua decisão de concorrer novamente à Presidência.
Para concretizar as mudanças prometidas, ela precisa de uma ampla maioria no Congresso, que também será renovado no domingo. As pesquisas preveem que Bachelet obterá a maioria no Congresso, com todas as condições para realizar as reformas mais profundas, incluindo a nova Constituição.
Os chilenos devem renovar a totalidade da Câmara dos Deputados, de 120 membros, e metade do Senado, de 38 membros.
Novo modelo
Bachelet afirma que quer corrigir a desigualdade social em um país com taxas invejáveis de crescimento econômico e estabilidade, mas onde o fosso que separa os mais ricos dos mais pobres é um dos maiores, segundo relatórios da OCDE.
A candidata defende um aumento progressivo dos impostos sobre as empresas, para arrecadar cerca de 8 bilhões de dólares e injetá-los na educação, um dos principais focos do descontentamento social no Chile. Bachelet promete ensino universitário gratuito em seis anos e quer acabar gradualmente com um sistema de cobranças de mensalidades em estabelecimentos escolares que recebem subsídios estatais.
Com essas propostas, Bachelet vai tentar atender às demandas do poderoso movimento estudantil chileno, que em 2011 organizou grandes passeatas para exigir ensino público de qualidade e gratuito.
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