Rio de Janeiro, 16 de Março de 2026

Chile vai às ruas comemorar a morte de ditador

As ruas do Chile amanheceram cheias de gente. Milhares de cidadãos chilenos comemoram, desde a tarde deste domingo, a morte do ditador Augusto Pinochet, aos 91. (Leia Mais)

Segunda, 11 de Dezembro de 2006 às 08:17, por: CdB

As ruas do Chile amanheceram cheias de gente. Milhares de cidadãos chilenos comemoram, desde a tarde deste domingo, a morte do ditador Augusto Pinochet, aos 91. Logo após o anúncio de sua morte, no fim da tarde, mais de 5 mil pessoas tomaram as ruas, segundo informações do Ministério do Interior. A maioria comemorava a morte de um dos mais famosos ditadores da América do Sul durante a Guerra Fria..

Algumas demonstrações foram violentas, e a polícia militar usou gás lacrimogêneo para dispersar protestantes anti-Pinochet que tentaram invadir o palácio presidencial de La Moneda, importante símbolo para muitos chilenos desde que o prédio foi bombardeado durante o golpe em 1973 que levou Pinochet ao poder. A polícia impediu a passagem dos manifestantes e estes destruíram as portas de vidro de um hotel, atacaram farmácias e estabelecimentos comerciais. Os protestos só se dispersaram depois que a polícia lançou jatos d'água e gás lacrimogêneo na multidão.

Após o fim dos protestos, a polícia afirmou que 24 policiais ficaram feridos, e o ministro do Interior disse que vários protestantes foram presos. Fogueiras queimaram nas ruas da capital, Santiago, que também ficaram cheias de destroços, pedras e barricadas.

Problema cardíaco

O corpo de Pinochet foi levado à Escola Militar de Santiago para ser velado antes de seu funeral, programado para esta terça-feira, sem honras militares. Um carro fúnebre saiu com o caixão do Hospital Militar, onde o general Pinochet morreu uma semana depois de sofrer um infarto do miocárdio, e chegou ao instituto militar na madrugada desta segunda-feira, informou a polícia. O médico Juan Ignacio Vergara, chefe da equipe médica que atendia Augusto Pinochet, disse que o ditador sofreu um problema cardíaco que não pôde ser superado, apesar de uma série de manobras de reanimação.

Relatório divulgado pelo Hospital Militar de Santiago falava sobre a estabilidade e chances de recuperação de Pinochet. Quatro horas depois, Pinochet sofreu uma "brusca recaída" e morreu. Pinochet morreu no mesmo dia do aniversário de sua esposa, Lucía Hiriart Rodríguez, que completa 84 anos. Grupos peruanos defensores dos direitos humanos ressaltaram a ironia de que a morte do ditador chileno Augusto Pinochet tenha ocorrido no Dia Internacional dos Direitos Humanos, celebrado neste domingo.

"Período sombrio"

Em nota divulgada neste domingo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o ditador chileno Augusto Pinochet "simbolizou um período sombrio na história da América do Sul". "Foi uma longa noite em que as luzes da democracia desapareceram, apagadas por golpes autoritários", diz a nota assinada pelo porta-voz da Presidência, André Singer.

A Casa Branca afirmou que o governo do ditador Augusto Pinochet representou um "período difícil" para o Chile e acrescentou que os EUA "estão ao lado das vítimas de seu regime".

- A ditadura de Augusto Pinochet no Chile representou um dos períodos mais difíceis na história dessa nação - disse Tony Fratto, porta-voz da Casa Branca.

Ex-primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher foi a única que expressou algum pesar pela morte do ex-ditador. Ela se disse "profundamente triste" com a notícia da morte do general e ditador chileno Augusto Pinochet, anunciou neste domingo seu porta-voz. Thatcher não fez declarações, mas transmitiu suas profundas condolências à viúva de Pinochet e à toda família, afirmou o porta-voz.

A organização Anistia Internacional (AI) afirmou neste domingo que a morte do ditador chileno Augusto Pinochet deve ser encarada como um "chamado" aos governos para a necessidade de uma justiça rápida, evitando, assim, que os culpados por violações de direitos humanos não sejam processados. "A morte do general Pinochet é um chamado para as autoridades do Chile e de todos os governos, lembrando a importância de uma justiça rápida no que se refere a crimes de direitos hu

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