Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Chile não quer ajuda do México em crise com Bolívia

Domingo, 18 de Janeiro de 2004 às 18:29, por: CdB

A chanceler chilena, Soledad Alvear, agradeceu no domingo a preocupação do presidente do México, Vicente Fox, a respeito do conflito diplomático entre Chile e Bolívia, mas rejeitou sua eventual mediação na questão, já que se trata de um assunto bilateral.

Assim como foi feito anteriormente, de forma direta ou indireta por outros líderes da região, Fox ofereceu no sábado ajudar os governos do Chile e da Bolívia para buscarem uma solução à tensão política entre os dois países por causa do pedido boliviano de uma saída para o Oceano Pacífico.

Entretanto, o Chile insistiu, como já havia dito em outros fóruns internacionais, que o assunto se limita ao âmbito bilateral e, portanto, não tem intenção de pedir ajuda a outros países.

- Isso exigiria a vontade dos dois países, e o Chile entende que esse é um tema bilateral. Já sinalizamos que o trabalho com nossas missões e com outros países é precisamente permanente em torno do que é a temática internacional - disse Alvear a repórteres.

Fox, anfitrião da recente Cúpula das Américas, em Monterrey, teve de enfrentar uma situação tensa no encontro, quando o presidente boliviano, Carlos Mesa, insistiu para que seu colega chileno, Ricardo Lagos, desse uma solução imediata para a mediterraneidade da Bolívia, consequência de uma guerra ocorrida no fim do século 19.

Nervoso, Lagos sustentou que essa questão não deveria ser discutido em uma reunião multilateral, pois diz respeito somente aos dois países. Para encerrar a discussão, ofereceu à Mesa restabelecer de imediato suas relações diplomáticas, suspensas há 25 anos pela Bolívia por causa de seu pedido de soberania marítima.

O chanceler mexicano, Luis Derbez, havia comentado que o diálogo foi tão áspero entre os dois presidentes, que por um momento Fox pensou que a situação pudesse ficar violenta, o que não chegou a acontecer.

Em seu retorno à Bolívia, Mesa rejeitou a oferta de restabelecer vínculos com o país vizinho, e empresários e políticos bolivianos pediram um boicote ao consumo de produtos chilenos. Alvear ignorou os apelos de retaliação.

Segundo ele, o intercâmbio comercial entre o Chile e a Bolívia, "é importante e a intenção de nosso país é fortalecer o acordo de complementação econômica que temos entre os nossos países".

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