O Chile está disposto a defender sua jurisdição marítima diante da Corte Internacional de Haia, caso o Peru decida iniciar nesse órgão um processo para alterar a fronteira vigente, disse no domingo o chanceler chileno, Ignacio Walker. - Se o Peru pretende ir à Corte Internacional de Haia, estamos prontos para exercer nossos direitos e apresentar todo o nosso caso. Temos uma posição jurídica muito sólida e, portanto, não tememos nenhuma instância jurídica internacional, afirmou em entrevista ao jornal "El Comercio", de Quito. "Estou seguro de que nesse caso será ratificada a vigência do direito internacional no que se refere ao limite marítimo."
Chile, Equador e Peru subscreveram acordos em 1952 e 1954 determinando que seus limites no oceano Pacífico seriam demarcados por uma linha paralela traçada a partir dos pontos mais extremos do litoral. O Peru considera que esses convênios eram pesqueiros, não territoriais, e por isso aprovou uma lei que pode alterar os limites, com uma perda de 34 mil quilômetros quadrados de mar para o Chile, segundo Walker.
Lima insiste que pode levar a sua reivindicação territorial à Corte Internacional de Haia, entre outras instâncias, mas nunca especificou uma data para isso. O Chile sempre declarou que não há disputa com o Peru e que a polêmica lei não tem efeitos jurídicos. Walker, entretanto, não especificou se suas declarações representam um reconhecimento da lei peruana ou se o recurso ao tribunal de Haia é parte de uma estratégia de defesa diante de um fato consumado, ou seja, o eventual processo peruano naquela corte.
- Não vamos fazer questão (de levar o caso a Haia). Vamos fazer nossa defesa porque temos um caso muito sólido no (aspecto) jurídico, disse o chanceler chileno, que antes havia considerado "uma vergonha" discutir fronteiras em pleno século 21. Questionado sobre a possibilidade de um conflito armado devido à disputa, Walker rejeitou especulações sobre "cenários hipotéticos", mas afirmou torcer "pela racionalidade e a prudência". Chile e Equador subscreveram na sexta-feira uma declaração conjunta na qual ratificam a vigência dos convênios de 1952 e 1954.