A gerência de Operações da Chesf Sobradinho, responsável pela geração de energia para o Sistema Chesf, descarta totalmente a possibilidade de apagão no Nordeste, por falta de chuvas, informou o jornal A Tarde. O engenheiro- chefe da unidade, Paulo Vieira, disse que "a situação do reservatório não é confortável, mas que o sistema não será afetado".
O Lago de Sobradinho está com volume útil de 11,44% da sua capacidade, recebendo vazões afluentes da ordem de 1.000m³/s e liberando, até ontem, 1.268m³/s para assegurar o equilíbrio de todo o sistema à jusante da barragem, e garantir água para os perímetros irrigados.
Paulo Vieira informou que "a Chesf recebeu uma licença especial da Agência Nacional das Águas (ANA) para operar até na faixa especial de 1.100m³/s com vistas a não comprometer os múltiplos usos da água disponível que, no momento, é 4,7 bilhõesm³/s, no Lago de Sobradinho, que garante à Chesf gerar energia.
A Usina Hidrelétrica de Sobradinho tem seis máquinas geradoras, e três estão em operação, assegurando a geração de 244mw de energia, mas a empresa recebe da Eletronorte uma contribuição de 441mw e da Transmissora Sudeste/Nordeste, por meio da Usina Serra da Mesa, em Tocantins, a partir do município de Bom Jesus da Lapa, um percentual que garante o equilíbrio energético do Nordeste.
Vieira disse que as termelétricas existentes no Nordeste são conectadas com as subestações operadas pelas concessionárias: Coelba, na Bahia, e Celpe, em Pernambuco. Segundo ele, o "apagão de 2001 foi um fato isolado que ajudou empresas como a Chesf a se programarem para garantir o abastecimento em sua área de influência, mesmo que Sobradinho não forneça qualquer contribuição em termos de geração de energia".