O vice-presidente norte-americano, Dick Cheney, fez uma visita surpresa ao Afeganistão nesta quinta-feira e se reuniu com o presidente afegão, Hamid Karzai para discutir as estratégia de luta contra os movimentos extremistas, antes da reunião de cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em abril.
O atual governo norte-americano deseja uma ampliação das tropas da Otan no Afeganistão, para que a estabilização do país se materialize. A missão da Otan neste país é um dos desafios mais duros já enfrentados pela aliança e vem gerando divergências públicas entre os membros na área estratégica e sobre o número de tropas. O assunto será tema central de uma próxima reunião da Otan, que acontecerá no início de abril.
- Queremos uma declaração bastante enfática sobre o compromisso de longo prazo da Otan com um Afeganistão bem-sucedido - disse a repórteres uma importante autoridade norte-americana, que pediu anonimato.
Segundo essa autoridade, o objetivo dos Estados Unidos é fazer com que o Afeganistão supere esse difícil episódio de sua história e possa "se tornar um bem-sucedido membro da comunidade internacional, que possa se sustentar daqui para a frente".
A visita do vice-presidente americano não havia sido anunciada por motivos de segurança. Em fevereiro de 2007, durante sua última visita a Cabul, um atentado suicida em uma base dos Estados Unidos, na qual se encontrava Cheney, deixou pelo menos 20 mortos.
Iraque
O presidente George W. Bush, afirmou nesta quarta-feira que os Estados Unidos vêm obtendo um sucesso inegável no Iraque e que a presença das tropas americanas contribuiu para produzir a primeira insurreição árabe em larga escala contra Osama bin Laden.
Os comentários do presidente americano foram feitos durante um discurso realizado na sede do Pentágono, para marcar os cinco anos do conflito no Golfo.
- Para os terroristas, o Iraque era para ser um lugar onde a Al-Qaeda incitaria as massas a expulsar os Estados Unidos. Em vez disso, o Iraque se tornou o lugar onde os árabes se aliaram aos americanos para expulsar a Al-Qaeda - disse Bush.
O presidente americano disse que o desafio que os Estados Unidos enfrentam daqui para a frente é o de consolidar os êxitos obtidos e selar a derrota dos extremistas.
Retirada
Bush enfatizou que a tática americana de ampliar o número de soldados americanos no Iraque em 30 mil homens desde o ano passado contribuíram para o sucesso inegável da estratégia dos Estados Unidos no país.
- Mas ainda assim, alguns em Washington ainda continuam pedindo uma retirada - acrescentou.
O comentário de Bush foi uma referência velada aos pré-candidatos democratas, Hillary Clinton e Barack Obama, que defendem a retirada americana do Iraque. O candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, John McCain, por sua vez, endossa a visão de Bush de que o aumento do número de soldados vem propiciando aos Estados Unidos um êxito no Iraque.
- Nós aprendemos, através da experiência, o que acontece quando nos retiramos rápido demais, os terroristas e os extremistas entram, preenchem o vácuo, estabelecem esconderijos e os utilizam para disseminar o caos e a carnificina - afirmou o presidente americano.
Cerca de 3,9 mil militares americanos já morreram no conflito no Golfo. O economista Joseph Stiglitz, vencedor do Prêmio Nobel de Economia, estima que a guerra já custou pelo menos US$ 3 trilhões.