Uma comissão ad-hoc do exército israelense estimou que castigos coletivos como a demolição de casas de suicidas e milicianos palestinos que atacaram Israel não serviu com fator de dissuasão, e sim como fomento do ódio.
Segundo relatório da comissão presidida pelo general Udi Shani e publicado, nesta quinta-feira, pelo jornal <i>Haaretz</i>, a demolição "de escarmento" e dissuasão para evitar novos ataques de independentistas da resistência palestina, não só não tiveram esse efeito como causaram maior dano a Israel nos territórios ocupados e no mundo.
Desde que começou a ser aplicado esse castigo coletivo, no verão de 2002, dois anos após começar o levante contra a ocupação, a "Intifada da Mesquita de Al Aqsa", até o verão do ano passado, as FA de Israel cifram em 270 as casas demolidas.
No entanto, fontes palestinas estimam que as casas arrasadas superam amplamente esse número na Cisjordânia e em Gaza.
A Comissão do general Shani, esclarece o jornal israelense, não inclui as casas demolidas na Faixa de Gaza, destruídas não como um castigo, mas por estritas razões de segurança, como a de construir rotas para proteger forças militares que operam nesse território palestino ocupado desde a guerra de 1967, e os colonos dos assentamentos judaicos.
Em muito poucos casos, vinte durante os quase quatro anos e meio da "Intifada", os parentes de militantes da resistência palestina optaram por entregar seus filhos antes de destruírem sua casa.
O ex-chefe da Região Militar Central com jurisdição na Cisjordânia, general na reserva Isaac Eitan, cumpriu essa função durante os dois primeiros anos do levante palestino e afirmou que em lugar de ser um fator de dissuasão, a demolição das casas palestinas foi um estímulo para ataques de vingança.
O general Yaalon também solicitou investigar a demolição, há quatro meses, de vinte e cinco casas -às vezes a casa de várias famílias- durante uma invasão do exército à cidade de Khan Yunes. A demolição aconteceu sem a prévia e necessária aprovação do Estado-Maior.
Chefes do exército israelense recomendam fim de demolições
Quinta, 17 de Fevereiro de 2005 às 03:56, por: CdB