Chefe do FMI renuncia e europeus querem fazer sucessor o quanto antes
Dominique Strauss-Kahn renunciou como diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), dizendo que precisa usar toda sua energia para defender-se das acusações de agressão sexual contra uma camareira de hotel, gerando um imediato cabo de guerra político por seu cargo.
Dominique Strauss-Kahn renunciou como diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), dizendo que precisa usar toda sua energia para defender-se das acusações de agressão sexual contra uma camareira de hotel, gerando um imediato cabo de guerra político por seu cargo.
A prisão de Strauss-Kahn em Nova York no sábado acabou com suas ambições de concorrer à presidência da França em 2012 e levantou um debate sobre a tradição de um europeu ser o apontado para a chefia do organismo há 65 anos.
A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, disse que o próximo diretor-gerente do FMI deve ser europeu e indicado rapidamente. A carta de renúncia de Strauss-Kahn, divulgada pelo FMI e com data de 18 de maio, contém seus primeiros comentários sobre as acusações de tentativa de estupro, atos sexuais ilegais e cárcere privado de uma viúva de 32 anos de idade em um hotel de luxo em Manhattan.
"Eu nego, com a maior firmeza possível, todas as acusações feitas contra mim", disse ele na carta.
"Eu quero devotar toda minha força, todo meu tempo e toda minha energia para provar minha inocência."
Mais tarde nesta quinta-feira, o ex-ministro das Finanças francês deve fazer um segundo pedido por fiança, no valor de US$ 1 milhão, antes do julgamento de Strauss-Kahn sobre tentativa de estupro de uma camareira de hotel, disseram seus advogados. Ele está preso na cadeia Rikers Island.
A mulher que o acusa das agressões testemunhou na quarta-feira perante um júri, que vai decidir se há evidências suficientes para processá-lo formalmente. A foto na ficha da polícia, tirada 24 horas depois da detenção, mostra Strauss-Kahn exausto com uma camisa amassada, olhando para baixo.
Sucessão
A renúncia de Strauss-Kahn intensifica o debate sobre quem deve liderar o FMI e se é tempo de mudar a tradição criada em 1945, que diz que um europeu chefia o FMI e um norte-americano fica à frente do Banco Mundial. O ministro júnior dos Transportes da França, Thierry Mariani, disse que a ministra da Economia do país, Christine Lagarde, seria uma "candidata muito boa", mas que pode ser difícil ter outro diretor-gerente francês "no atual contexto".
Lagarde, de 55 anos de idade, não quis responder a jornalistas quando perguntada se está interessada no cargo, mas disse:
– Qualquer candidatura, qualquer que for, precisa vir dos europeus em conjunto, todos juntos.
O ministro das Finanças sueco, Anders Borg, também endossou o nome de Lagarde, que já dirirgiu uma grande empresa de direito em Chicago antes de juntar-se ao governo. Diplomatas disseram que a Alemanha, a maior economia europeia, é a favor de Lagarde, mas ela também enfrenta problemas, já que um promotor público recomendou que ela seja investigada por sua conduta em um caso legal envolvendo um ex-político. Deve ser decidido em meados de junho se haverá um processo, mas o histórico de Strauss-Khan deixa os europeus preocupados.
Merkel disse que quer discutir a sucessão com outros líderes europeus e que as nações emergentes, que pedem um poder maior na diretoria do FMI, têm direito a cargos importantes do Fundo e do Banco Mundial no longo prazo.
O membro do Banco Central Europeu (BCE) Nout Wellink disse na quarta-feira que o presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, que já está de saída, seria um sucessor "fantástico" para o FMI. No entanto, as regras do FMI dizem que seu chefe não pode ter mais que 65 anos e Trichet tem 68.
Os países emergentes, que têm demandado ter maior voz no FMI, vêm pressionando para poder apontar um candidato local para a chefia do Fundo. China e Japão pediram nesta quinta-feira um processo aberto e transparente "baseado no mérito" – , uma forma velada de se opor a outro europeu. Brasil, México e África do Sul também sugeriram uma nova postura na sucessão.
– Como concordado no G20, diretores de organizações financeiras internacionais deveriam ser escolhidos com base em suas habilidade, por meio de um processo aberto e transparente – disse o ministro das Finanças japonês, Yoshihiko Noda, sobre a sucessão de Strauss-Khan.
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