Rio de Janeiro, 02 de Setembro de 2026

Chefe do Exército de Israel critica Sharon

O chefe do Exército de Israel manifestou reservas sobre a proposta do premiê Ariel Sharon de adotar medidas unilaterais caso o processo de paz com os palestinos fracasse, disse no domingo uma reportagem do jornal Haaretz. (Leia Mais)

Domingo, 30 de Novembro de 2003 às 09:39, por: CdB

O chefe do Exército de Israel manifestou reservas sobre a proposta do premiê Ariel Sharon de adotar medidas unilaterais caso o processo de paz com os palestinos fracasse, disse no domingo uma reportagem do jornal Haaretz.

Os comentários do tenente-general Moshe Yaalon, divulgados pelo jornal liberal israelense, juntam-se às críticas que quatro ex-chefes da segurança israelenses fizeram recentemente às duras políticas de Sharon em relação aos palestinos.

Questionado sobre a reportagem, um porta-voz do Exército disse que os militares não comentam declarações particulares.

Em comentários feitos na quinta-feira, Sharon disse que poderia tomar medidas unilaterais, incluindo o desmantelamento de assentamentos judaicos isolados.

Segundo o jornal Haaretz, o ``Plano Sharon'' prevê Israel desenhando unilateralmente a fronteira de um Estado palestino na Faixa de Gaza e em menos da metade da Cisjordânia, em espaço menor do que o reivindicado pelos palestinos.

Yaalon acredita que a retirada unilateral de assentamentos dará ``apoio ao terror'' e deveria ser feita somente como parte de uma acordo de paz abrangente.

O Haaretz disse que Yaalon acredita que o Exército deveria primeiro sair de ``cidades tranquilas'' da Cisjordânia, como modo de recompensar os palestinos e abrir caminho para um futuro acordo.

Yaalon, em desafio à política do governo, disse recentemente em entrevistas a jornais que as duras restrições de movimentação dos palestinos apenas aumenta o apoio a militantes.

Suas declarações de domingo reforçam os pedidos em Israel e no exterior para Sharon acabar com a violência e levantar o status dos moderados palestinos através de ação contra os colonos e fim de bloqueios impostos a cidades palestinas.

Israel também sofre críticas internacionais por construir uma barreira dentro da Cisjordânia que, afirma, é uma ``cerca de segurança'' para impedir a entrada de homens-bomba palestinos. Os palestinos dizem que a barreira rouba suas terras. 

O  premiê palestino, Ahmed Qurie, encontrou-se com o enviado dos Estados Unidos, William Burns, pela primeira vez desde que assumiu o cargo, no início deste mês. Burns deverá reunir-se com líderes israelenses no domingo.

Burns prometeu que os Estados Unidos continuarão tentando colocar o processo de paz de volta aos trilhos, de acordo com comunicado de imprensa emitido após o encontro com Qurie.

Sharon prometeu reunir-se com Qurie para reativar o ``mapa do caminho'', que prevê medidas recíprocas para a criação de um Estado palestino até 2005, mas disse que a paciência de Israel é limitada.

No sábado, Qurie disse que não há necessidade de negociar com Sharon enquanto Israel continuar construindo a barreira. Uma autoridade graduada israelense disse que Sharon está disposto a encontrar-se com Qurie ``a qualquer momento'', mas que Israel não deixará de construir a barreira.

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