A Renault está na Fórmula 1 como uma forma de investimento e permanecerá na categoria até quando existirem claros benefícios para a marca, foi o que disse no domingo o presidente e chefe executivo da empresa, o brasileiro Carlos Ghosn.
- Nós não competimos para fazer um show razoável - afirmou Ghosn durante a coletiva de imprensa no GP da França, corrida na casa da escuderia líder do campeonato e a primeira a qual ele vai ver de perto.
- Nós competimos para fazer um grande espetáculo. Queremos que o público, os fãs reconheçam que estamos lutando, competindo e dando nosso melhor.
- Enquanto formos capazes de fazer isso, nós competiremos - acrescentou.
Ghosn, que estava no comando da Nissan antes de assumir o maior posto da Renault, que controla a montadora japonesa, era reconhecido antes de sua presença nos paddocks da Fórmula 1 por sua reputação de ser um duro cortador de custos e com nenhuma afeição especial pelo automobilismo.
Ele disse que não era verdade em se tratando de uma questão pessoal.
- Como pessoa, eu sou muito interessado em automobilismo - declarou - Eu sempre fui. Eu acompanho as corridas e no Japão assistia as provas da Nissan.
Como presidente de uma companhia, no entanto, ele deixou claro que sua cabeça não é comandada por seu coração.
- Nós não estamos na Fórmula 1 por hábito ou tradição. Estamos aqui para mostrar nosso talento e que podemos fazer isso perfeitamente - afirmou.
- Fórmula 1 é um custo se você não alcança os resultados. Fórmula 1 é um investimento se você os têm e sabe como explorá-los. Se existe uma equipe hoje que pode dizer que isso é um investimento, é a Renault porque estamos conseguindo bons resultados.
A equipe está liderando o campeonato de construtores com 89 pontos depois de vencer seis das 10 corridas até aqui este ano. A McLaren é a segunda com 71 pontos e a Ferrari terceira com 69.
O espanhol Fernando Alonso, que neste domingo venceu de ponta a ponta em Magny-Cours, lidera o campeonato de pilotos depois de cinco vitórias.
BENEFÍCIOS COMERCIAIS
Ghosn afirmou que é importante transformar as vitórias da escuderia em sucesso comercial longe das pistas. "É um investimento agora e para os próximos anos. A questão é como podemos explorar da melhor forma para transformar isso numa imagem da marca."
Perguntando se a Renault pode se transferir para o campeonato mundial de rally ou outra categoria do automobilismo, Ghosn declarou que a prioridade é a Fórmula 1.
- No momento, o foco é desenvolver uma boa performance na Fórmula 1 e alcançar os melhores resultados. Esta é uma prioridade para a Renault. Não acho que deveríamos espalhar os nossos esforços.
Na Nissan, Ghosn disse que tomou decisões completamente diferentes em relação ao automobilismo. Uma foi entrar no campeonato japonês de Fórmula GT, que a companhia venceu em 2003 e 2004. A outra foi não competir mais no rally Dakar.
Ele também retirou a marca das 24 Horas de Le Mans.
- Eu retirei a Nissan de Les Mans porque eu senti que não tínhamos chance dada a tecnologia e organização necessárias e a forma que era dirigida - disse - Mas é bem possível que nós (Nissan) possamos retornar. Isto ainda está em nosso radar - concluiu.