Rio de Janeiro, 21 de Setembro de 2026

Chefe da Otan admite hipótese de participação no Iraque

Quarta, 16 de Junho de 2004 às 15:12, por: CdB

A Otan não pode "bater a porta na cara" do novo governo iraquiano, caso receba um pedido para ajudar a estabilizar o país, disse na quarta-feira o secretário-geral da aliança militar liderada pelos Estados Unidos, Jaap de Hoop Scheffer.

Na semana passada, o presidente dos EUA, George W. Bush, disse que a Otan deveria se envolver no Iraque. Logo em seguida o presidente francês, Jacques Chirac, o contradisse, afirmando que isso não faz parte da "missão" da aliança.

Essa divisão, manifestada na recente reunião de cúpula do G8 nos EUA, ecoou a disputa do ano passado dentro da Otan por causa da invasão do Iraque.

Mas o secretário-geral da entidade aproveitou o comentário de Chirac para dizer que está disposto a considerar o envio de tropas se o governo interino que toma posse em 30 de junho em Bagdá assim solicitar.

"Ouvi, escutei e vi muito claramente o presidente da república (francesa)", disse De Hoop Scheffer a jornalistas na sede da Otan, em Bruxelas. "Certamente ele não excluiu o debate. Isso ficou claro. Agora, não se pode dizer que se um pedido vier isso não provocará diferenças de opinião dentro da aliança."

Até agora a Otan se limita a oferecer apoio logístico à divisão militar liderada pela Polônia que controla o centro-sul do Iraque.

Dos 26 países da Otan, 16 mantêm tropas no Iraque, e De Hoop Scheffer disse que se algum deles pedir apoio similar ao dado à Polônia "a resposta certamente será sim".

França e Alemanha já deixaram claro que não vão enviar tropas ao Iraque, e sua oposição a uma missão coletiva da Otan ficou maior nas últimas semanas, por conta da violência sem trégua e do escândalo dos abusos contra presos.

O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, disse nesta semana que qualquer futura missão da Otan no Iraque deve se limitar ao treinamento de forças de segurança, tarefa que, segundo ele, não deve provocar maiores discordâncias.

De Hoop Scheffer disse que o treinamento é possível, mas cabe ao novo governo iraquiano dizer o que espera.

A Otan realiza uma reunião de cúpula em Istambul nos dias 28 e 29 -- ou seja, a conclusão do encontro está marcada para a véspera da transferência de poder no Iraque. Diplomatas dizem que dessa cúpula pode sair uma declaração na qual a aliança se mostraria disposta a assumir um papel no Iraque.

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