Integrantes da CPMI das Sanguessugas foram à Assembléia Legislativa do Mato Grosso para a tomada de depoimentos dos empresários Darci José Vedoin e Luiz Antônio Trevisan Vedoin, de acordo com informações da secretaria da comissão mista. Darci José e o filho Luiz Antônio são acusados de chefiar o esquema de fraudes em licitações para venda de ambulâncias para prefeituras municipais a preços superfaturados. Os veículos seriam adquiridos por meio de emendas apresentadas por parlamentares ao Orçamento da União e de licitações fraudulentas que contariam com a participação de empresas da família Vedoin, como a Planam e a Santa Maria.
A atuação da máfia das sanguessugas estava ausente apenas de três ou quatro Estados do país, onde não foi adiante o esquema de venda superfaturada de ambulâncias e equipamentos de saúde da empresa Planam, investigada na Operação Sanguessuga da Polícia Federal. A informação foi dada pelo presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga o esquema (CPMI das Sanguessugas), Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ).
- É um esquema com ramificações em todo o país - disse o deputado a jornalistas.
Biscaia está no Mato Grosso, junto com outros integrantes da comissão para acompanhar o depoimento que o empresário Luiz Antônio Vedoin, da empresa Planam está prestando ao juiz da Segunda Vara Federal de Cuiabá, Jefferson Schineider há oito dias consecutivos. Os suspeitos resolveram colaborar com a polícia em troca de diminuição no tempo da pena a ser cumprida. Para o parlamentar, o depoimento que começou na segunda-feira da semana passada é um fato inédito no Poder Judiciário que, segundo Biscaia, decidiu colaborar.
- Ele está revelando, em detalhes, todo o esquema da quadrilha criminosa. Não tenho dúvida de que esse depoimento, no momento em que puder ser revelado, será uma prova inquestionável e vai responsabilizar, em toda essa trama criminosa, um número grande de parlamentares federais - informou o presidente da CPMI das Sanguessugas.
O deputado acrescentou que o empresário, que recebeu a prerrogativa de delação premiada, além de revelar fatos, tem apresentado documentos.
- Muitas vezes para obter o benefício da delação premiada a testemunha começa a revelar fatos que não consegue comprovar. Neste caso é completamente diferente. Cada um dos episódios que é revelado vem acompanhado de uma farta documentação, que tem sido apresentada independentemente daquela que já tinha sido apreendida pela Polícia Federal. Não tenho dúvida, que neste caso, teremos a prova documental confirmando o depoimento - afirmou.
Biscaia disse que o juiz se comprometeu a repassar o material à comissão, após a conclusão dos depoimentos.
- Creio que no mais tardar até quinta-feira estará concluído e imediatamente será repassado para a presidência da CPMI. Já fizemos o contato com o magistrado e há o compromisso dele de encaminhar o material - avaliou.
Para o parlamentar, é possível que a comissão conclua o seu trabalho ainda nos primeiros dias de agosto, como era o objetivo inicial dos integrantes. Biscaia afirmou que, como qualquer fato que revela a participação de parlamentares, o resultado do depoimento será um abalo muito forte no Congresso Nacional. Ele voltou a defender a necessidade de garantir a abertura de processos de cassação de parlamentares envolvidos, apesar da eleição em outubro.
- Já temos a convicção de que as dificuldades serão imensas para iniciar qualquer processo de cassação, ainda nesta legislatura. Temos que sustentar o ponto de vista de que se o fato comprova quebra de decoro e se um desses parlamentares obtiver a reeleição nós devemos defender o prosseguimento na próxima legislatura ou até o início de um processo de cassação já a partir de 2007 - concluiu.