O chefe de espionagem da Rússia disse na quinta-feira que os serviços de inteligência de outros países estão planejando levantes semelhantes à "Revolução Laranja" da Ucrânia para minar a influência russa na ex-União Soviética.
As declarações do chefe do Serviço Federal de Segurança (FSB), Nikolai Patrushev, refletem a desconfiança da Rússia nos líderes da Ucrânia e da Geórgia, pró-Ocidente. Ele acusou os espiões de estar usando organizações não-governamentais para agir.
Segundo ele, a Rússia já descobriu espiões norte-americanos, britânicos, kuweitianos e sauditas tantando enfraquecer Moscou.
- Os serviços secretos estrangeiros estão usando cada vez mais métodos não-tradicionais e, com a ajuda de vários programas educacionais de ONGs, estão fazendo propaganda de seus interesses, principalmente na ex-União Soviética - disse ele a deputados da Duma, a Câmara Baixa do Parlamento.
- Nossos oponentes estão deliberadamente e passo a passo tentando enfraquecer a influência russa na ex-União Soviética e na arena internacional como um todo. Os últimos acontecimentos na Geórgia, na Ucrânia e no Quirguistão confirmam isso.
Grupos de jovens e ONGs, muitas delas financiadas por entidades pró-democracia estrangeiras, comandaram os protestos nas ruas de Kiev, que acabaram revertendo o resultado das eleições presidenciais, com a revelação de fraudes.
Na reedição do pleito, o candidato pró-Ocidente Viktor Yushchenko derrotou seu adversário, que tinha o apoio de Moscou. O presidente do Quirguistão, Askar Akayev, foi derrubado em março. E, na Geórgia, uma revolução colocou no poder líderes pró-Ocidente em 2003.
Patrushev disse que é preciso haver forte controle sobre essas ONGs na Rússia para evitar infiltrações estrangeiras. Ele se reuniu com representantes de agências de segurança de outros países ex-soviéticos em abril para discutir a ameaça de novas revoluções.
- As ações das ONGs estrangeiras, que estão prejudicando a segurança de nosso país, são causadas por imperfeições nas bases legais russas - afirmou.
Patrushev indicou que Belarus -- que os EUA chamaram de a última ditadura da Europa -- pode ser o próximo alvo dos manifestantes pró-democracia.
Ele afirmou que a oposição do país recebeu cinco milhões de dólares este ano em financiamento estrangeiro, mas não especificou a fonte.
Chefe da espionagem russa acusa outros países de trama levante
Quinta, 12 de Maio de 2005 às 13:00, por: CdB