Rebeldes chechenos prometeram nesta quarta-feira intensificar sua luta pela independência depois da morte do chefe guerrilheiro Aslan Maskhadov, em meio a especulações de que a liderança separatista poderá cair em mãos mais violentas.
Analistas temem que o líder Shamil Basayev, que assumiu a autoria de alguns dos piores atos de violência na Rússia - incluindo o ataque à escola de Beslan - possa assumir a resistência chechena.
Maskhadov, de anos 53, era, ao lado de Basayev, um dos homens mais procurados da Rússia. Ele foi morto nesta terça-feira em uma operação do serviço de segurança FSB em uma aldeia ao norte de Grozny, a capital regional. Sua morte forneceu o triunfo que a política linha-dura do presidente Vladimir Putin precisava no território.
Apesar da promessa de "acabar" com os rebeldes separatistas na Chechênia, Putin sofreu diversos reveses. Seus cinco anos no poder vêm sendo marcados por ataques suicidas chechenos em Moscou, um sequestro de um teatro que custou a vida de 129 reféns e o massacre de Beslan, no norte da Rússia, em que mais de 320 pessoas, metade delas crianças, morreram.
Mas alguns analistas disseram que a morte de Maskhadov, ex-coronel do exército soviético que tinha a legitimidade de ter sido eleito democraticamente em 1997, eliminou um moderado que poderia ter negociado a paz com o Kremlin.
O líder fez diversas ofertas de negociação com Moscou, argumentando que uma solução pacífica para um conflito que matou dezenas de milhares de pessoas nos últimos 10 anos poderia ser trabalhada em questão de minutos.Mas a liderança russa recusou e disse que não negocia com terroristas.
O representante de Maskhadov em Londres, Akhmed Zakayev, afirmou que um sucessor será nomeado em dias, apesar de não ter revelado nomes. Comentaristas especulam que essa pessoa pode ser tanto Basayev como Doku Umarov, comandante da "frente sudoeste" que foi ligado pelas forças de segurança russas a diversos ataques sangrentos, incluindo o de Beslan.
- Ambos são comandantes de campo e, ao contrário de Aslan Maskhadov, que afirmava desejar negociações pacíficas com Moscou, são conhecidos por não terem compromissos e pela agressividade ao lidar com a Rússia - observou um artigo do jornal Kommersant.
- Dessa forma, o terror só vai aumentar se qualquer um deles chegar ao poder - disse ainda.
Basayev assumiu a responsabilidade pela organização do massacre na escola de Beslan em setembro e por dois ataques suicidas que derrubaram dois aviões de passageiros na Rússia, matando 90 pessoas.
Maskhadov, que sempre negou relação com o ataque na escola de Beslan, apesar das acusações das forças russas, disse que Basayev iria a julgamento pelo massacre na escola quando o conflito terminasse.