O presidente Hugo Chavez, da Venezuela, e Álvaro Uribe, da Colômbia, amenizaram o ambiente de tensão vivido pelos dois países nas últimas semanas. Eles conversaram pelo telefone e reforçaram a paz selada no encontro do Grupo do Rio, na República Dominicana, na última semana.
Após mais de três meses de conflitos diplomáticos, Venezuela e Colômbia finalmente buscam o entendimento e o reestabelecimento da confiança mútua. Os dois líderes marcaram uma reunião para o reatamento das relações entre os dois países, informou o governo colombiano.
"Foi realizada uma conversação telefônica entre os presidentes da República Bolivariana da Venezuela e da República da Colômbia, após uma ligação do presidente Hugo Chávez ao presidente Alvaro Uribe", disse um comunicado do governo colombiano, divulgado nesta sexta-feira.
Trata-se da primeira comunicação telefônica entre os dois presidentes desde o início das tensões diplomáticas em novembro. Nesta época, Uribe decidiu cancelar a mediação de Chávez junto às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) para tentar a libertação de reféns mantidos pelos rebeldes, deflagrando o conflito diplomático.
"Nessa conversa foi reiterada toda a vontade de restabelecer as melhores relações entre os governos e a confiança entre os governantes", acrescentou.
Durante os meses que duraram as desavenças entre os dois presidentes, muitas farpas foram trocadas, tanto Chavez quanto Uribe. Chávez acusou o presidente colombiano de mentiroso, mafioso, paramilitar e de ser um boneco dos Estados Unidos. Já Uribe acusou Chávez repetidas vezes de legitimar o terrorismo das Farc e de liderar um projeto expansionista.
Depois que forças militares colombianas bombardearam uma região de selva no Equador sem autorização de Quito, num ataque em que o segundo na hierarquia das Farc Raúl Reyes foi morto, a crise foi intensificada. As posteriores acusações de Uribe a respeito da possível relação entre o governo da Venezuela e as Farc aumentaram a tensão. O presidente colombiano acusou Chavez de financiar o grupo.
O Equador repudiou as acusações e a ação militar colombiana, considerando-a uma violação da soberania do país. O presidente equatoriano, Rafael Correa, rompeu relações diplomáticas com a Colômbia. Em sinal de apoio ao colega equatoriano, Chávez ordenou um reforço militar na fronteira com a Colômbia e também expulsou o embaixador colombiano da Venezuela.
A crise foi finalmente superada durante reunião do Grupo do Rio, realizada na República Dominicana, onde os três presidentes fizeram as pazes. A condenação da OEA às ações da Colômbia e a afirmação de que realmente o incidente foi uma afronta à soberania do Equador, possibilitaram o fim do conflito.
- Os dois presidentes renovaram o compromisso de confiança e colaboração mútua para que tanto a Colômbia quanto a Venezuela não sejam vítimas de grupos violentos, qualquer que seja sua origem - disse o comunicado do governo de Bogotá, em referência à conversa telefônica entre os dois líderes.
A crise entre os vizinhos já estava comprometendo a economia e dava sinais de intensificação. Em um momento, Chavez ameaçou a nacionalização das empresas colombianas em seu país e as trocas comerciais também foram dificultadas. A Venezuela importa muitos produtos colombianos e até as bolsas sentiram os efeitos da crise.