O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, sugeriu na quarta-feira a seus aliados da região que abandonem o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e desativem a Corporação Andina de Fomento (CAF), entidades que segundo ele dificultam a concessão de crédito a alguns países.
A proposta foi feita em Caracas durante uma cúpula da Alba, grupo formado por Venezuela, Bolívia, Cuba e Nicarágua, ao qual agora foi convidado o Equador - todos eles países com governos esquerdistas.
De acordo com Chávez, seu colega equatoriano, Rafael Correa, queixou-se das "condições até políticas" que o BID impõe para a concessão de empréstimos, e que o banco teria se tornado um instrumento do "império" norte-americano para pressionar determinadas nações.
Correa anunciou na semana passada que, devido à crise financeira global, pleitearia ao BID um crédito de 1 bilhão de dólares para obras de infra-estrutura.
- Eu não estava inteirado disso. Se é assim, para que nos serve o BID? Então saiamos o BID (...), o transformaram num mecanismo também do império - disse Chávez, que defendeu a criação de "um banco nosso".
No ano passado, o presidente prometeu retirar a Venezuela do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, o que gerou nervosismo nos mercados financeiros, pois boa parte dos títulos da dívida venezuelana contêm uma cláusula que poderia ativar um "default técnico" (moratória) se o país deixasse a instituição.
Seu governo há mais de dois anos tenta colocar em marcha o chamado Banco do Sul, iniciativa destinada a mitigar a dependência dos países sul-americanos em relação a instituições multilaterais.
O Banco do Sul foi oficialmente criado em 2007, numa cerimônia com os presidentes de Argentina, Bolívia, Brasil, Equador, Paraguai e Venezuela, mais um enviado do Uruguai. No entanto, o projeto não decolou.
Em meio às deliberações a respeito da crise global e contra o capitalismo, Chávez também disse que o edifício-sede da CAF, em Caracas, poderia ser entregue a um novo banco regional.
- A CAF, cuja sede está aqui em Caracas administrando os créditos dos nossos países tal qual um Fundo Monetário Internacional, então teria que fechá-la, e esse edifício aqui da CAF poderia mesmo ser a sede do nosso banco - disse.
A CAF está construindo uma nova sede na capital venezuelana. O organismo é formado por Argentina, Bolívia, Brasil, Costa Rica, Colômbia, Chile, Equador, Espanha, Jamaica, México, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Trinidad e Tobago, Uruguai e Venezuela, além de 15 bancos privados da região andina.