A Venezuela vai seguir adiante com o plano de nacionalizar a unidade local do banco espanhol Santander, afirmou o presidente do país, Hugo Chávez,semanas depois que autoridades informaram que a compra da operação seria adiada. Desde chegar ao poder há uma década, Chávez nacionalizou grandes porções da economia do país membro da Opep e este ano agiu para aumentar o controle estatal de fazendas e da produção de alimentos, apesar da queda acentuada na receita do petróleo.
– Não estamos recuando. Hoje nós voltamos ao assunto, eu anuncio a nacionalização do Banco de Venezuela para fortalecer o sistema bancário público nacional – disse Chávez durante reunião com ministros que foi televisionada.
O grupo Santander controla o Banco de Venezuela, uma das maiores instituições financeiras do país. Chávez tem estado ocupado desde que venceu um referendo em fevereiro que o permite concorrer à reeleição indefinidamente. No mês passado, ele ameçou assumir o controle do maior empregador do país, a Empresas Polar; nacionalizou uma fazenda produtora de arroz pertencente à gigante norte-americana Cargill; e tomou controle de uma série de outras propriedades agrícolas, incluindo uma de produção florestal da fabricante irlandesa de papelão Smurfitt Kappa.
Ele também determinou a tomada de controle de portos e aeroportos de governos estaduais, enfraquecendo governos de oposição que previamente controlavam algumas das principais rotas comerciais do país. Chávez ordenou a compra do Banco de Venezuela em julho, mas as negociações com o banco espanhol foram interrompidas depois que os preços do petróleo despencaram nos últimos meses. Representantes do setor financeiro e uma importante autoridade do governo ligada às discussões disseram à Reuters em março que a venda não ocorreria este ano.
Informações da mídia local afirmam que Chávez ofereceu entre US$ 1,2 bilhão e US$ 1,3 bilhão pelo banco. O presidente venezuelano afirma que quer a unidade do Santander para ajudar a canalizar recursos do Estado às comunidades e dar crédito a cooperativas e empresas de produção social. A Venezuela assumiu quatro grandes projetos petrolíferos em 2007 avaliados em 30 bilhões de dólarees. Na maior parte dos casos compensações justas foram pagas, mas as norte-americanas Exxon e ConocoPhillips saíram do país e encaminharam queixas contra a Venezuela.
A compensação ainda precisar definida pela maior siderúrgica da Venezuela e por três produtoras de cimento estrangeiras, todas assumidas pelo governo no ano passado.