Rio de Janeiro, 27 de Maio de 2026

Chávez quer retomar agenda Sul-Sul e reitera ataques aos EUA

Terça, 10 de Maio de 2005 às 14:51, por: CdB

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, defendeu nesta terça-feira na cúpula de países árabes e sul-americanos o resgate da agenda Sul-Sul e aproveitou para reiterar seus ataques contra os Estados Unidos, a quem acusa de tentar impor seu modelo com o poder de seus canhões.

- Não há democracia internacional - disse Chávez no discurso realizado na cúpula, para em seguida fazer um paralelo com os desgostos por que passaram o mundo árabe e a América do Sul.

- Nos parecemos mais do que à primeira vista pode parecer - afirmou, acrescentando que os dois povos "têm sido vítimas do poder dos impérios invasores".

Chávez fez um paralelo entre as cruzadas e a conquista da América, indicando que ambas constituíram um "genocídio" para os árabes e para os latino-americanos, respectivamente.

Disse que as duas regiões devem estabelecer uma agenda para o conhecimento mútuo antes de iniciar grandes empreendimentos.

- Não pretendamos o impossível de imediato - afirmou, comparando a cúpula como "o primeiro noivo, a primeira noiva, o primeiro conhecimento".

Chávez insistiu na necessidade de retomar a agenda que tentou criar no século passado de um bloco terceiromundista e lembrou o líder egípcio Nasser e o militante da paz Ghandi.
Repelindo as "guerras preventivas" Chávez disse que os participantes da cúpula teriam de decidir a respeito.

- O imperialismo de Washington pretende dominar o mundo e quer obrigar-nos com canhões a adotar seu modelo - disse Chávez em outro de seus reiterados ataques aos Estados Unidos.

Afirmou que a própria Venezuela está ameaçada e lembrou o golpe de Estado que o tirou brevemente do poder em 2002, afirmando que "foi faturado em Washington".

Chávez estimulou também aos demais representantes dos 12 países sul-americanos e 22 árabes que participam da cúpula a estabelecer uma agenda estratégica para sua paulatina integração, com um espírito construtivo que deixe de lado os interesses.

Essa estratégia, acrescentou, deve estabelecer-se "não apenas pensando em quanto vais me vender, mas quanto vou te vender."

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