O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, convidou o Chile a participar, em breve, de um projeto para um gigantesco gasoduto que pretende construir junto com o Brasil e a Argentina a fim de satisfazer a crescente demanda por energia desses países.
Chávez oficializou seu convite em uma reunião realizada, em Viena, com a presidente chilena, Michelle Bachelet, à meia-noite de quinta-feira, poucas horas antes do começo da cúpula entre a União Européia (UE) e a América Latina.
- O Chile, esse país irmão, deve, conforme creio e conforme disse a Michelle, integrar-se antes que seja tarde ao megagasoduto do sul, a fim de garantir o fornecimento de gás para os chilenos durante os próximos 150 anos - afirmou o presidente venezuelano a repórteres em imagens reproduzidas pelo canal chileno TVN.
Em dezembro passado, o Brasil, a Argentina e a Venezuela acertaram iniciar os estudos sobre a construção de um gigantesco gasoduto que uniria as três maiores economias da América do Sul e que poderia envolver também outros países, integrando a região em termos energéticos.
Esse megaprojeto teria uma extensão inicial de 8.000 quilômetros e exigiria um investimento de algo entre 10 bilhões e 17 bilhões de dólares. A petrolífera Enap, uma empresa estatal do Chile, afirmou na quinta-feira que o país está funcionando com metade do gás natural de que precisa devido ao corte na remessa do produto a partir da Argentina, seu maior provedor, que restringiu o envio do combustível após um aumento da demanda interna.
A fim de enfrentar essa falta do produto, o Chile deve levar adiante vários projetos e está aberto a estudar alternativas que lhe permitam fortalecer seu setor energético.
A Venezuela é o quinto maior produtor de petróleo do mundo e possui as maiores reservas de gás da região.
Chávez, que se apresenta como inimigo ferrenho dos EUA e como o maior incentivador da integração latino-americana, disse que o gás está à disposição do Chile e dos outros países da região.
- Nós, os países do sul, que temos grandes reservas de gás e de petróleo, como a Venezuela, queremos colocar esse gás e esse petróleo à disposição dos povos do sul, em primeiro lugar - afirmou Chávez.
Na saída da reunião com Bachelet, o dirigente venezuelano disse ter admiração pela presidente chilena, uma socialista que, em março, se transformou na primeira mulher a ocupar o mais alto cargo do Chile.
-Claro que sou michellista, porque amo Michelle e o que ela representa, a dignidade do povo chileno - afirmou Chávez.