Rio de Janeiro, 17 de Março de 2026

Chávez prepara terreno para se perpetuar no poder

Sexta, 01 de Dezembro de 2006 às 10:43, por: CdB

Presidente da Venezuela e candidato à reeleição, Hugo Chávez reafirmou sua disposição de se manter no poder por tempo indeterminado. Ele defendeu a idéia de incluir na constituição do país uma cláusula que colocará um fim no limite de vezes que um governante poderá ser reeleito, em períodos de seis em seis anos.

- Isso não é ditadura, é democracia - justificou-se o presidente. Segundo afirmou, a mudança será decidida pela população, por meio de um referendo, e não deve valer apenas para ele, mas para todos os que cheguem à Presidência. Todas as alterações na Constituição precisam ser submetidas a plebiscito depois de aprovadas no Congresso.

A Constituição atual, aprovada em 1999, só permite uma reeleição. A primeira eleição de Chávez, em 1998, está fora desta regra. Chávez apresentou a proposta de mudança como uma resposta "a esta oposição golpista, fascista", como definiu, e disse que começou a pensar no assunto quando a oposição se retirou da eleição legislativa do ano passado.

Com o boicote da oposição, Chávez conseguiu eleger 100% do Congresso.

Amigo de Lula

O presidente venezuelano também falou do apoio que recebeu do presidente Luiz Inácio Lula da Silva quando o brasileiro participou, há pouco mais de duas semanas, da inauguração de uma ponte no sul da Venezuela. Na época, Lula fez um discurso de improviso apoiando a reeleição de Chávez.

- Algumas pessoas se incomodaram, mas o que Lula disse é verdade - afirmou.

Ele confirmou que irá ao Brasil na próxima quarta-feira, já dando como certa sua reeleição.

- Como ele (Lula) veio para cá reeleito, foi o primeiro país que visitou, eu vou a Brasília, se Deus permitir. Lula me convidou a jantar no dia 6 e no dia 7 vamos trabalhar o dia todo com nossas equipes - afirmou.

Ele disse que os dois vão trabalhar em projetos de integração regional, como a Petrosul e o Banco do Sul. Depois, seguem para a reunião da Comunidade da América do Sul (Casa) em Cochabamba, na Bolívia.

- Estamos dispostos a acelerar os projetos de integração. O espaço sul-americano é vital para nós. Para nos integrarmos neste mundo de hoje com a possibilidade de implementar nosso desenvolvimento, nossa soberania, temos que nos unir primeiro - concluiu.

A campanha se encerrou, oficialmente, às 18h desta sexta-feira.

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