O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, poderá concorrer imediatamente à reeleição se for derrotado no plebiscito que decidirá a continuidade ou não de seu mandato, disse na terça-feira o ministro das Relações Exteriores do país, Jesus Pérez.
"Nada impede o presidente Chávez, caso ele perca o plebiscito -- o que é uma situação hipotética --, de se candidatar de novo", disse o ministro à Reuters em Quito, no Equador, durante uma reunião da OEA (Organização dos Estados Americanos).
O referendo foi convocado pela oposição, que obteve o número de assinaturas necessário para sua realização. De acordo com a Constituição do país, a consulta popular vai decidir se o presidente cumpre ou não seu mandato até o fim, em dezembro de 2006.
O Conselho Eleitoral da Venezuela deve anunciar na terça-feira a data exata do plebiscito, que ocorrerá em agosto. Se ele acontecer antes do dia 19 e Chávez for derrotado, segundo as leis venezuelanas, novas eleições têm de ser realizadas em um mês. Se ocorrer depois disso, o vice-presidente assume o cargo em caso de derrota.
Pérez disse acreditar que Chávez vencerá o plebiscito. Apesar de sua declaração sobre a possibilidade de Chávez concorrer na nova eleição, em caso de derrota no referendo, o artigo 233 da Constituição venezuelana fala da eleição de um "novo presidente" nessas circunstâncias.
Os opositores de Chávez dizem que isso significa que ele não pode se candidatar. Mas seus partidários afirmam que ele pode pedir à Suprema Corte que esclareça a questão.
Segundo Pérez, o presidente, que está no cargo desde 1998, não decidiu ainda o que fazer em caso de derrota no plebiscito.
Líderes da oposição querem que o referendo seja realizado em 8 de agosto, mas Pérez afirmou que o governo estava trabalhando com a data de 15 de agosto.
A maioria das pesquisas de opinião prevê a derrota de Chávez no plebiscito, mas especialistas acreditam na possibilidade de uma arrancada de última hora.
Chávez será derrotado se os votos contra ele igualarem ou superarem a marca de 3,76 milhões de votos que ele recebeu na eleição de 2000.
Há dois anos Chávez sofreu uma tentativa de golpe de Estado, e depois resistiu a uma greve de petroleiros que provocou a recessão na Venezuela. Mas a economia do quinto exportador de petróleo do mundo está em recuperação, graças aos altos preços do barril.