O presidente venezuelano, Hugo Chávez, pediu no domingo que seus soldados se preparem para a guerra para garantir a paz. em meio à crescente tensão entre os governos de Venezuela e Colômbia, país que Chávez acusa de estar controlado pelos Estados Unidos com a intenção de iniciar um conflito bélico.
Durante seu programa dominical de rádio e televisão, Chávez se dirigiu à Força Armada Nacional Bolivariana para advertir do perigo que, segundo ele, Washington representa para sua "revolução socialista".
– Se queres a paz, se prepare para a guerra – disse Chávez, citando o conhecido refrão popular durante a entrega de 240 moradias no Estado de Portuguesa, construídas em convênio com o Irã.
– Se ocorrer ao império ianque, utilizando a Colômbia ou não, mas já sabemos por onde vem, agredir militarmente a Venezuela... aqui começará a guerra dos 100 anos e essa guerra se estenderá por todo o continente. Saibam disso! – alertou o presidente antes de ser ovacionado pelo público.
A Venezuela, nos últimos tempos, gastou mais de US$ 3 bilhões em armas, levando a secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, a alertar sobre uma corrida armamentista na região.
A Colômbia recentemente pediu à Organização Mundial do Comércio que interceda depois de Chávez proibir a importação de alguns produtos colombianos, em protesto contra o acordo militar Bogotá-Washington.
A Colômbia é o segundo maior parceiro comercial da Venezuela, e vice-versa (os EUA são o primeiro para ambos). No ano passado, o comércio bilateral superou os 57 bilhões de dólares.
Bogotá diz que a proibição venezuelana agravou a recessão na Colômbia e afetou ainda mais as exportações do país, já prejudicadas pela crise global. Washington vê Uribe como um anteparo contra Chávez e outros governos socialistas da região, como o do equatoriano Rafael Correa.
Chávez, Correa e Uribe buscaram nos últimos anos ampliar sua permanência no poder, por meio de reformas constitucionais que permitissem suas reeleições. O governo colombiano anunciou, nesta manhã, que recorrerá ao Conselho de Segurança da ONU e à Organização dos Estados Americanos (OEA) diante do que classificou de "ameaças" da Venezuela.
Atualizada às 11h41