Rio de Janeiro, 10 de Outubro de 2026

Chávez inicia abaixo-assinado pela sua reeleição

Quinta, 11 de Dezembro de 2008 às 16:57, por: CdB

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, tornou-se na quinta-feira o primeiro venezuelano a aderir ao abaixo-assinado por uma emenda constitucional para eliminar os limites à reeleição presidencial.

Embora a Assembléia Nacional, dominada pelo chavismo, já tenha iniciado os trâmites da emenda, seu Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) iniciou uma coleta simbólica de assinaturas para respaldar a reforma.

O presidente costuma dizer em seus discursos que "o povo" clama por sua permanência, embora uma reforma levada a referendo em 2007, que ampliaria os poderes de Chávez e lhe permitiria infinitas reeleições, tenha sido rejeitada.

- Estou convocando o poder constituinte, originário, nas comunidades, nas paróquias (...). Os que queiram pátria, que venham comigo - disse Chávez após assinar com tinta vermelha uma planilha do PSUV, numa praça no centro de Caracas.

Depois de uma década no cargo -- que ele completa em fevereiro --, Chávez diz estar disposto a governar por mais dez anos, para aprofundar a sua "revolução socialista". Adversários dizem que ele pretende se perpetuar no poder e instaurar um regime comunista no estilo cubano.

- Hugo Chávez (...) é garantia de paz para todos os venezuelanos (...). É garantia de liberdades, é garantia de continuar levando adiante um país, nosso país, nada fácil na revolução (...). Na mudança, qualquer opção opositora é garantia de quê? De guerra, é garantia de violência, seria o caos para a Venezuela - afirmou Chávez numa rápida entrevista coletiva.

Algumas pesquisas indicam que a maioria dos venezuelanos é contra a reeleição sem limites, uma proposta lançada pelo presidente logo depois de seu partido conquistar 17 de 22 governos estaduais e 80 por cento das prefeituras na eleição de 23 de novembro, embora tenha sofrido derrotas em algumas cidades importantes.

A oposição considera a nova emenda ilegal, pelo fato e o assunto já ter sido submetido a referendo no atual mandato presidencial.

Mas a Assembléia convocou para o dia 18 o primeiro debate sobre o projeto de emenda. A segunda discussão e a sanção devem acontecer em janeiro, e o referendo pode ser em fevereiro.

Analistas dizem que Chávez apressou a reforma porque a crise econômica internacional pode abalar sua popularidade, pois afetaria o preço do petróleo e, portanto, os programas sociais do governo. Outro motivo seria a possibilidade de uma consolidação da oposição nos próximos meses.

Um dos principais rivais de Chávez, o prefeito de Maracaibo, Manuel Rosales, candidato derrotado na eleição presidencial de 2006, foi indiciado na quinta-feira por enriquecimento ilícito pelo Ministério Público. Há algumas semanas, Chávez defendeu a prisão de Rosales, que declarou estar sendo "politicamente linchado".

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