Rio de Janeiro, 31 de Outubro de 2026

Chávez garante que projeto socialista continua vivo

Presidente venezuelano, Hugo Chávez admitiu a derrota eleitoral, fato inédito na sua carreira, com a rejeição em referendo de uma reforma constitucional que lhe permitiria disputar a reeleição indefinidamente e aprofundar a implantação do "socialismo do século XXI". (Leia Mais)

Segunda, 03 de Dezembro de 2007 às 09:10, por: CdB

Presidente venezuelano, Hugo Chávez admitiu a derrota eleitoral, fato inédito na sua carreira, com a rejeição em referendo de uma reforma constitucional que lhe permitiria disputar a reeleição indefinidamente e aprofundar a implantação do "socialismo do século XXI". Ao reconhecer o resultado das urnas, logo nos primeiros minutos após a divulgação do resultado oficial, por volta das 3h desta segunda-feira, Chávez afastou de seus críticos o fantasma do ditador despótico, muito utilizado para assombrar a opinião pública daquele país. Em entrevista no Palácio Miraflores, Chávez afirmou, no entanto, que sua proposta de integração social do país continua de pé.

– Não pudemos por hora, mas mantenho minha proposta, a mais avançada do planeta e que busca alcançar a máxima inclusão social, princípio fundamental de nosso sistema – afirmou Chávez, em entrevista concedida na madrugada desta segunda-feira, em cadeia nacional de rádio e televisão.

Logo após a divulgação do primeiro resultado oficial, Chávez conclamou à união nacional.

– Oxalá possamos respeitar nossas diferenças e caminhar juntos, debatendo e nos afastando do caminho da violência, da conspiração e dos planos subordinados ao império norte-americano – ressaltou.

Aos trabalhadores de baixa renda, o presidente venezuelano deixou a mensagem de que irá buscar "uma maneira de ir-lhes incluindo".

– Seguramente, será de uma forma mais lenta e com mais dificuldades, mas buscaremos a maneira de que tenham um sistema de seguridade social – acrescentou.

Oposição em festa

O "Não" obteve 50,7% dos votos, enquanto o "Sim" conquistou 49,49%. Logo após a divulgação dos resultados, partidários da oposição tomaram as ruas de Caracas com seus carros, bandeiras, buzinas e gritos.

Em seu pronunciamento no palácio de Miraflores, Chávez não parecia desanimado. Pediu aos seguidores que não se entristecessem e desejou "Feliz Natal" a todos.

– Ouvi a voz do povo e vou sempre ouvi-la – afirmou.

Estudantes, ONGs, grupos empresariais, partidos de oposição, o clero católico, alguns antigos aliados e até a ex-mulher de Chávez, normalmente leal a ele, haviam se manifestado contra a reforma constitucional.

– A Venezuela disse 'não' ao socialismo. A Venezuela disse 'sim' à democracia", afirmou a jornalistas Leopoldo López, popular prefeito de um dos distritos de Caracas.

Admirado nas favelas e zonas rurais pobres da Venezuela, Chávez, de 53 anos, não esconde seu desejo de governar até morrer. Mas, sem uma reforma constitucional, terá de deixar o poder em 2013. No final da noite deste domingo, três ministros haviam dito que Chávez venceria o referendo por uma margem de pelo menos seis pontos percentuais – vantagem que se desfez conforme os resultados iam sendo divulgados.

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