O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, assinou na quarta-feira um decreto que expropria uma empresa que fabrica válvulas para o setor petrolífero. É a segunda vez neste ano que os trabalhadores assumem o controle de uma empresa privada.
Chávez disse que a Constructora Nacional de Válvulas (CNV) se recusou a reiniciar suas operações depois do breve golpe de Estado de 2002 e da subsequente greve geral da oposição.
Os trabalhadores assumiram as instalações vazias da empresa em janeiro de 2003, depois que seu dono, Andrés Sosa Pietri, ex-presidente da estatal petroleira PDVSA, aderiu à greve, segundo a estatal Agência Boliviariana de Notícias.
A expropriação foi realizada sob uma lei de 2002 que autoriza o governo a assumir empresas falidas ou abandonadas em nome do interesse público.
Em janeiro, o governo já havia expropriado uma fábrica de papel, a Venepal, que havia falido. Foi então formada uma nova empresa estatal de papel, com participação acionária dos trabalhadores, que se organizaram em cooperativa.
Uma transformação semelhante está prevista para a CNV, que fabrica válvulas para a indústria petrolífera no país. Uma nova razão social, chamada Inveval, está sendo criada, com 51 por cento de capital estatal e 49 por cento nas mãos da cooperativa de funcionários.
Chávez diz que essas medidas visam a afastar a economia petroleira do país do capitalismo tradicional, a ser substituído por formas socialistas de propriedade, como cooperativas e co-gestão de trabalhadores.
"Estamos começando a construir o nosso próprio modelo socialista", disse ele na cerimônia em que assinou o decreto de expropriação.
Chávez, eleito em 1998 com a promessa de melhorar a qualidade de vida dos mais pobres, aumentou drasticamente em seu governo a participação do Estado na economia, criando novas empresas públicas de telecomunicações e aviação.
Seus críticos dizem, porém, que medidas como essas prejudicam a atividade privada e afastam investidores.