Rio de Janeiro, 05 de Maio de 2026

Chávez: EUA de olho no nosso petróleo

Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, na noite desta segunda-feira, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse que o seu país busca a integração da América do Sul e está está empenhado na criação de um gasoduto até o Brasil e a Argentina, além da criação de uma empresa petrolífera sul-americana, a Petrosul, como forma de barrar os interesses dos EUA na região. Os norte-americanos estariam interessados no petróleo. A integração, segundo Chávez, inclui ainda uma emissora de TV de âmbito regional e de um banco sul-americano, o Banco Sur. (Leia Mais)

Terça, 04 de Outubro de 2005 às 09:12, por: CdB

Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, na noite desta segunda-feira, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse que o seu país busca a integração da América do Sul e está está empenhado na criação de um gasoduto até o Brasil e a Argentina, além da criação de uma empresa petrolífera sul-americana, a Petrosul. A integração, segundo Chávez, inclui ainda uma emissora de TV de âmbito regional e de um banco sul-americano, o Banco Sur. Aos jornalistas, o militar venezuelano que se manteve na presidência após resistir a um golpe de Estado que o afastou por 48 horas do Palácio Miraflores reafirmou seus compromissos com o ideal de Simon Bolívar.

- Eu não sou comunista, sou apenas um revolucionário - disse o presidente venezuelano.

Ele acrescentou que há uma tendência de crescimento da esquerda nos países da região mas nega, no entanto, que pretenda se transformar em um novo Fidel Castro, ou que esteja exportando o modelo venezuelano para outros países.

- Não. É somente uma resposta à globalização. O povo da América Latina é que se rebela contra as forças conservadoras - garantiu.

Hugo Chávez admitiu, ainda na entrevista, a sua decisão de investir na integração dos países sul-americanos como forma de se opor aos EUA.

- Nós falamos da união da comunidade sul-americana. A proposta de integração neoliberal fracassou. Nós estamos propondo um novo modelo de integração que nós chamamos de Alba - Alternativa Bolivariana para a América. A Petrosul é uma das linhas estratégicas da integração, a Telesul é outra linha de integração no plano da cultura e das comunicações. O presidente Lula gostou muito e montamos uma comissão técnica para formar um Banco do Sul. A Venezuela está disposta a investir US$ 5 bilhões das suas reservas internacionais para o banco que pode ficar aqui em Brasília - adiantou.

Lula é amigo

Para o presidente venezuelano, os líderes de esquerda sul-americanos deverão se fortalecer na região, ao longo dos próximos anos.

- Os projetos transformadores revolucionários deverão ganhar força porque o povo se dá conta de que por aí está o caminho. Nós, os líderes, somos conseqüência, não somos a causa. Há a esquerda moderada, a centro-esquerda e a esquerda mais à esquerda, mas de qualquer forma estamos no rumo estratégico da esquerda. Esse é o caminho da libertação e da salvação do nosso povo. O outro caminho é o consenso de Washington, que é o caminho do inferno - ponderou.

Ameaça do Norte

Além do desenvolvimento econômico da região, Chávez propõe também que as nações latino-americanas passem a colaborar mais no campo militar, como forma de se contrapor ao poderio dos EUA. Chávez propõe a união entre o Brasil, a Argentina e a Venezuela como forma de manter as reservas petrolíferas do continente protegidas de uma possível invasão dos Estados Unidos.

- Se algo nos dá força ao governo venezuelano é o apoio popular. Mesmo para enfrentar as agressões de um império, golpes de Estado e sabotagens econômicas - disse o presidente.

Ele acrescenta que a aproximação do Paraguai com o Departamento de Estado norte-americano trata-se, na verdade, do início de uma intervenção dos EUA na América Latina.

- Aqui no Brasil derrubaram o João Goulart, o Allende no Chile. Eles é que têm exportado o seu modelo e com violência. Nós estamos pregando a integração livre e democrática dos povos - concluiu.

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