Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Chávez e o ?império fantasma?.

Segunda, 27 de Junho de 2011 às 14:13, por: CdB

Por Túlio Madson de Oliveira Galvão 27/06/2011 às 19:54

A quem interessa a cegueira de continuar ignorando o óbvio: que o mundo hoje não é mais refém do (des)equilíbrio político e ideológico do pós-guerra? Porque a América Latina ainda não saiu da Guerra Fria?

A quem interessa a emergência de líderes com tendências totalitárias em nosso continente, inspirados em um modelo de estado do século passado? Justamente enquanto o mundo caminha para uma radicalização da democracia. Por que eles são eleitos? Por um lampejo tardio da utopia soviética, ou por uma maliciosa captação do sentimento de antiamericanismo, que emerge nos países que os elegem e os mantém?

A quem interessa o congelamento e a obsolescência do debate ideológico?

A quem interessa a cegueira de continuar ignorando o óbvio: que o mundo hoje não é mais refém do (des)equilíbrio político e ideológico do pós-guerra? Porque a América Latina ainda não saiu da Guerra Fria?

Porque assistimos apáticos regimes que continuam vangloriando-se de seu atraso ideológico?

Ora defendendo uma política neoliberal, de não intervenção estatal na economia, e seguindo a falácia do conceito de globalização, onde o fator ?globalizante? parte de uma visão unilateral.

Ora adotando um regime de cunho soviético, de um gordo e ineficiente estado, que se perde na burocracia, e existe apenas para manter-se.

O modelo neoliberal foi adotado em uníssono na América Latina logo após a consolidação da democracia no continente, que não por coincidência se deu logo após a queda do muro de Berlim, e a prevalência do modelo do american way of life, como única fórmula possível de êxito social e econômico, também conhecido como globalização.

Agora, após a desilusão com esse panorama, presenciamos a proliferação de regimes castristas e chavistas, que nada mais são do que uma versão do tipo república de bananas do finado modelo soviético.

Todos esses regimes são legitimados pelo seu povo, por via eleitoral, ambos detêm o consenso da maioria da população. Resta-nos o questionamento, por quê?

Quanto mais os EUA sabotam e boicotam regimes que flertam com o modelo da URSS, mais esses regimes conseguem o respaldo de sua população para manter-se no poder. Os esforços americanos para sufocar e isolar esses regimes só contribuiu para fortalecê-los, transformando figuras tirânicas em mártires.

Tal atitude só fortalece o velho argumento revanchista de que:
?Se nossos desígnios partem espontaneamente dos anseios da população, como isso poderia interferir nos interesses americanos? Porque eles nos perseguem, nos sabotam? Assim, podemos inferir que os interesses americanos são diretamente ameaçados com o surgimento de um modelo de sociedade divergente da sua, mesmo que esse modelo seja autêntico e legítimo do país ao qual emergiu. Onde então fica a aceitação e o respeito ao contraditório na política externa americana? Não seria este um comportamento imperialista??. O que no fim só produz antiamericanismo.

Toda ação gera uma reação inversamente proporcional, lei que não por acaso parece ser ignorada na Casa Branca. Tenta-se ignorar a obviedade que as sucessivas tentativas de ingerência nesses países, só legitimam os governos que tem no combate a essas intervenções sua maior bandeira.

Será mesmo que a Casa Branca é assim tão ingênua? Será que todo o aparato de inteligência estatal seria assim tão ignóbil ao ignorar isso? Ou será que há interesses ocultos? Não estariam os EUA fomentando com sua política isolacionista regimes antidemocráticos?

Acabam alimentando o mito do grande inimigo, que faz com que a sociedade abra mão de medidas democráticas, em nome da segurança nacional. Tática bem conhecida pelos EUA, que incentivaram ditaduras militares para combater o grande inimigo do comunismo no pós-guerra. Essas não seriam as novas ditaduras do século 21, ?patrocinadas? mais uma vez pelo Tio Sam?

O combate ao modelo representado pela URSS, não seria uma forma de incentivar e legitimar modelos falidos? Não seria o embargo a Cuba e as farpas com regimes como os de Chávez, uma forma de cultivar na América Latina o espírito da Guerra Fria. A saber, que há duas saídas possíveis: o vitorioso, rico e próspero modelo americano, e o miserável e cruel modelo soviético.

O que seria do bem sem o mal? Se tais regimes caírem, os EUA ficarão sem um vilão, e o nosso continente pode se dar conta que vivemos hoje em um mundo plural, onde vários atores internacionais tornam-se cada vez mais importantes no equilíbrio político mundial, sem necessariamente aderirem a essa visão dualística. Todos possuem modelos únicos e adaptados a sua realidade, eles não são nem brancos, nem pretos, são cinzas, são de esquerda e de direita, de cima e de baixo, de frente e detrás. Os países que emergem hoje são os que superaram a falácia dos istas, e tornaram-se cada vez menos polarizados. Atentando a possibilidade de uma pluralidade de modelos bem-sucedidos.

Ora, são modelos de desenvolvimento como o nosso, que salvo a contradição da nomenclatura, poder-se-iam denominar-se socialismo do século 21, sem delírios estatizantes expressivos, sem megalomanismo militar, apenas conciliando crescimento econômico com inclusão social, esta via os EUA não ousam nem ao menos citar.

Ao impor essa mentalidade ultrapassada de um dualismo ideológico entre duas concepções que provaram não serem as melhores, os EUA tentam a força manter uma visão que ruiu com o muro de Berlim, desabou com as torres do WTC, e foi totalmente desacreditada com a crise do sistema financeiro global.

Enquanto isso nossos aspirantes a comunistas continuam vociferando contra um império que já ruiu, continuam atacando impetuosamente um modelo falido, ao invés de absorver os exemplos de sucesso do século 21, continuam inovando com soluções do século 20. Assim, com a anuência dos EUA, esses regimes criam a falsa impressão de um poderoso inimigo que na verdade já fora vencido, criando um círculo vicioso, onde um dá respaldo para a existência do outro.

Acontece que enquanto a Casa Branca tem a seu lado os bilhões de dólares e as mais preparadas mentes para pensar e entender o mundo de hoje, buscando saídas e tentando aproximar-se de outros modelos bem sucedidos economicamente, com maior controle do sistema financeiro aliado a desvalorização cambial, os fósseis soviéticos continuam lutando contra o império no mundo dos mortos. Fácil entender a quem interessa esses regimes...

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