— O presidente considera que é necessário estreitar a parceria com a Venezuela, acelerar as negociações e estabelecer prazos para as etapas dos projetos. Essa é a visão geral que o presidente vai levar — afirmou Baumbach.
O encontro ocorre depois de uma série de divergências públicas entre os dois líderes. Em maio, Chávez chamou o Congresso brasileiro de papagaio que repete o que diz Washington - depois que o Senado em Brasília aprovou um requerimento pedindo que o presidente venezuelano autorizasse a emissora RCTV a voltar a funcionar.
Em julho, o líder venezuelano disse que seu país desistiria de ingressar no Mercosul caso o Senado do Brasil e o do Paraguai não aprovassem a adesão da Venezuela ao bloco dentro de três meses.
A declaração foi encarada como um ultimado e provocou uma resposta do presidente Lula. Na ocasião, Lula disse que, para entrar no Mercosul, era preciso ter a aprovação dos congressos nacionais dos quatro países do bloco. "Agora, para sair, não tem regras. É só não querer ficar, não fica", disse, na época, o presidente brasileiro.
Chávez também já fez repetidas críticas ao etanol. O presidente venezuelano não menciona diretamente o Brasil, mas o etanol é uma das principais bandeiras da política externa do governo Lula.
Recentemente, declarações de Lula em uma entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, na qual o presidente brasileiro falava sobre a importância da alternância de poder, repercutiram na Venezuela. Os comentários de Lula foram feitos dias depois de Chávez ter apresentado sua proposta de reforma da Constituição, que prevê o fim do limite para reeleição para presidente.
Parceiro
Desde a última visita de Chávez ao Brasil, em dezembro do ano passado – logo após a reeleição dos dois presidentes –, foram assinados vários acordos de cooperação na área energética que ainda não saíram do papel.
Mas apesar de os projetos terem apresentado pouco progresso, o governo brasileiro diz que a Venezuela é um parceiro muito importante para o Brasil pelo tamanho e perfil de sua economia, com forte crescimento e perfil importador.
No ano passado, o Brasil exportou à Venezuela US$ 3,5 bilhões, com superávit de de US$ 2,9 bilhões. Este ano, até agosto as exportações somaram US$ 2,9 bilhões, um acréscimo de 26% em relação ao mesmo período do ano passado, que coloca o Brasil como o segundo maior fornecedor da Venezuela, atrás apenas dos Estados Unidos e à frente da Colômbia.
É cada vez maior também o número de empresas que realizam obras no país. A segunda ponte sobre o Rio Orinoco, por exemplo, que teve a participação de Lula na inauguração, em novembro do ano passado, foi construída pela Odebrecht. Na cerimônia, Chávez já encomendou a construção da terceira ponte sobre o mesmo rio.
O encontro desta quinta-feira – um almoço de trabalho entre os dois presidentes e assessores e um jantar com a participação do presidente do Equador, Rafael Correa, em escala técnica em Manaus a caminho de Nova York – deve “dar um impulso” à agenda de integração regional acordada entre os dois países, de acordo com o Palácio do Planalto.
PDVSA
Entre os projetos de integração acertados nos últimos meses entre Brasil e Venezuela estão os cinco previstos na carta de intenções assinada em janeiro entre a Petrobras e a PDVSA, estatal petrolífera venezuelana.
Um deles é a criação de duas empresas mistas, para explorar o camp