Rio de Janeiro, 06 de Maio de 2026

Chávez e Lula batem boca em cúpula sul-americana

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, iniciou um bate-boca, na sexta-feira, entre os participantes da primeira cúpula da Comunidade Sul-Americana de Nações ao dizer que não aprovaria a estrutura institucional do grupo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, envolveram-se na discussão. (Leia Mais)

Sábado, 01 de Outubro de 2005 às 06:27, por: CdB

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, iniciou um bate-boca, na sexta-feira, entre os participantes da primeira cúpula da Comunidade Sul-Americana de Nações ao dizer que não aprovaria a estrutura institucional do grupo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, envolveram-se na discussão.

Amorim perguntou se os chefes de Estado e seus representantes aprovavam os documentos negociados e Chávez respondeu discordando da estrutura do novo grupo. O chanceler brasileiro, visivelmente preocupado, disse que "os documentos precisam ser aprovado por consenso" e convidou o presidente da Venezuela a reconsiderar sua postura.

Lula, surpreso, interveio para tentar convencer o dirigente a não permitir que o novo processo de integração ficasse "congelado" devido ao fracasso da cúpula. "Poderíamos aprovar o documento (que cria a estrutura da Comunidade) e, dentro de 90 dias, se Chávez e os companheiros do Uruguai concordarem, poderíamos durante esses 90 dias, por fax e por telefone, tratar de criar a comissão estratégica", afirmou Lula. "Acredito que sua declaração esclarece o panorama," respondeu o presidente da Venezuela, provocando um ruidoso "haaaa" na sala de imprensa de onde se acompanhava a sessão por circuito de televisão.

Foram necessários apelos enérgicos do presidente Lula, do líder do Peru, Alejandro Toledo, e do ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, para que Chávez voltasse atrás.

O líder venezuelano já havia dito em um pronunciamento anterior que não concordava com os mecanismos de integração existentes na região, entre os quais o Mercosul e a Comunidade Andina de Nações (CAN), os corações do novo grupo, que não tem estrutura institucional própria.

Chávez argumentou que esses grupos nasceram de idéias neoliberais e que buscam a integração política e comercial, mas se esquecem do aspecto social. "Somente dos povos nascem as pátrias e os projetos, não das cúpulas". afirmou. "Não podemos deixar os povos de lado", disse, lembrando que tinha, junto com o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, enviado uma carta à cúpula de Brasília propondo a criação formal de uma Comissão Sul, que definiria o processo de integração regional. Vázquez não estava presente na reunião.

Logo depois da discussão, porém, Chávez voltou a mostrar-se preocupado devido à falta de debate sobre a estrutura e os objetivos do processo de integração. Houve novas intervenções de Lula, Toledo e Amorim, e, frente a mais garantias de que se tratava de "uma declaração política, e não de um tratado", segundo as palavras do chanceler brasileiro, o presidente venezuelano cedeu e aprovou os documentos.

Tags:
Edições digital e impressa