Rio de Janeiro, 05 de Maio de 2026

Chávez diz que vai lançar mão de 'forte cartada petrolífera'

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou em entrevista publicada neste domingo no jornal argentino Clarín que seu país tem "uma forte carta petrolífera para jogar no tabuleiro geopolítico e nos processos de integração regional". (Leia Mais)

Domingo, 02 de Outubro de 2005 às 12:21, por: CdB

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou em entrevista publicada neste domingo no jornal argentino Clarín que seu país tem "uma forte carta petrolífera para jogar no tabuleiro geopolítico e nos processos de integração regional".

- É uma carta que vamos jogar duro contra o país mais rude do mundo: os Estados Unidos. Mas a usaremos com transparência e respeito. Os acordos de energia têm uma força intrínseca. No caso da América do Sul, vão incidir na recuperação econômica regional - disse o presidente venezuelano. Durante a I Cúpula da Comunidade Sul-Americana de Nações, encerrada na sexta-feira em Brasília, a companhia petrolífera venezuelana PDVSA assinou significativos acordos com a brasileira Petrobras e a hispano-argentina Repsol-YPF com o objetivo de ampliar negócios no campo da energia.

- O mundo inteiro cheira a petróleo. Estamos diante de uma crise energética na qual é preciso prestar muita atenção: chegou-se a um teto na produção mundial de petróleo e o preço continuará subindo - prevê Chávez.

Para o chefe do Executivo venezuelano, as alianças com os países da região "têm ainda outros conteúdos ideológicos" já que, apesar de Brasil e Venezuela "possuírem atitudes diferentes no modo de enfocar os problemas, há coincidências profundas na necessidade de mudar o modelo de exclusão social".

- E o mesmo ocorre com o presidente argentino Néstor Kirchner - frisou.

Chávez explicou que a proposta de integração regional "contém três plataformas geopolíticas compostas pelas companhias Petrocaribe, Petroandina e Petrosur com o Mercosul e o Chile".

- Nós privilegiamos a receita do petróleo para aplicá-la no social. Tudo depende de como é visto o desenvolvimento. Que é mais importante, a indústria ou o ser humano? - pergunta o dirigente. Ele também afirmou que "a Argentina compra combustível que paga com vacas prenhes e produtos para o combate do câncer; Cuba cancela parte da dívida com remédios; o Uruguai paga com cimento".

- É uma parte de nossas receitas que deixamos de receber no curto prazo, mas em troca de outros benefícios - sustentou.

Tags:
Edições digital e impressa