Segundo ele, seria "desnecessário" querer "boicotar" a viagem do líder americano pela região, já que ele é "um cadáver político".
Chávez falou diante de aproximadamente 30 mil pessoas, de acordo com os organizadores do protesto "antiimperialista" realizado no estádio de futebol do FerroCarril, a 30 minutos do centro de Buenos Aires.
À multidão, pediu uma "vaia" ao "cavalheirinho" dos Estados Unidos. E seus seguidores, erguendo faixas, bandeiras, incluindo a do Brasil e a de Cuba, e cartazes de líderes de esquerda, como Ernesto "Che" Guevara, o obedeceram.
- Que Bush enfie no bolso esse dinheiro ridículo que pretende mandar para a América Latina. Ou que use estes recursos para ajudar os pobres que vivem em Washington, perto da Casa Branca - disse Chávez.
Vestido de camisa vermelha, cercado por seguranças - também de camisa vermelha ou branca -, o presidente venezuelano fez um discurso de duas horas, na noite desta sexta-feira.
No palco estavam ainda as mães da Praça de Maio e a presidente da entidade, Hebe de Bonafini, única oradora além de Chávez, que agradeceu o apoio de diversas entidades sociais e do presidente da Argentina, Nestor Kirchner.
Lula
Nas duas vezes em que fez referência ao presidente Lula e ao Brasil, por onde Bush passou nas últimas horas, Chávez adotou um tom ameno.
- Tenho certeza de que nossos amigos do Brasil e também do Uruguai não vão ser afetados porque convidaram este cavalheirinho do Norte", disse. "Norte-américa para os americanos e América do Sul para os sul-americanos - pediu.
Depois, em tom de brincadeira, Chávez contou ter dito ao presidente Lula que "deve tomar cuidado", mas com a equipe venezuelana de futebol, que, segundo insinuou, vem melhorando ao ponto de ameaçar a Seleção Brasileira.
Entre os presentes, antigos admiradores do presidente Lula, como o deputado Miguel Bonasso, da base kirchnerista, disseram "lamentar" que Bush tenha sido recebido pelo governo brasileiro.
- Mas o concreto mesmo é que o Brasil defende o Mercosul e é essa integração latina que vale a pena - disse Bonasso.
No meio da multidão, vestido com a camiseta da seleção brasileira, o profissional de informática Douglas Maioli, de 30 anos, também gritou por Chávez e "fora Bush".
Ao lado da mãe, a carioca Dulce Maioli, e do marido dela, o argentino Jorge Mario, Douglas afirmou que para ele "a verdadeira revolução é essa", liderada pelo presidente da Venezuela.
Quando perguntado sobre o que achou da ida de Bush ao Brasil, ele respondeu: "Como disse Chávez, Bush é um cadáver político. Nada. Mas Lula também não é um revolucionário".
Durante o dia, manifestantes realizaram protestos no centro de Buenos Aires contra a presença de Bush na América Latina. Com rostos cobertos e paus, quebraram vidros de lojas e bancos e jogaram pedras contra a polícia.