Presidente da Venezuela, Hugo Chávez disse que o "império do dólar está ruindo". A declaração, proferida nesta segunda-feira, em Teerã, chegou um dia depois de, em uma cúpula da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) realizada em Riad, o país latino-americano e o Irã, inimigo declarado dos Estados Unidos, terem defendido a adoção de medidas para responder ao enfraquecimento do dólar norte-americano.
Chávez, que no sábado disse que os preços do petróleo poderiam dobrar, chegando a US$ 200 o barril, caso os EUA atacassem o Irã devido a uma disputa em torno do programa nuclear naquele país, conversou com repórteres depois de uma reunião com o presidente do país islâmico, Mahmoud Ahmadinejad.
– Em breve, não falaremos mais sobre o dólar porque o dólar está se desvalorizando e porque o império do dólar está ruindo. Naturalmente, com a quebra do dólar, o império norte-americano irá ruir – afirmou Chávez em comentários traduzidos do espanhol para o farsi, a língua oficial do Irã, em uma entrevista coletiva concedida ao lado de Ahmadinejad. Os dois presidentes compartilham o mesmo ponto de vista quanto à suposta influência excessiva dos EUA no mundo.
A comunicação final da cúpula de 17 e 18 de novembro da Opep não incluiu qualquer referência ao dólar em desvalorização, uma suposta vitória do bloco de países aliados dos EUA, liderado pela Arábia Saudita. Mas o Irã e a Venezuela deixaram claro antes e depois da cúpula que pressionariam pela adoção de medidas, entre as quais fixar o preço do petróleo por meio de uma cesta de moedas. No domingo, Ahmadinejad descreveu o dólar como um "pedaço de papel sem valor".
A desvalorização do dólar norte-americano nos mercados internacionais ajudou a alimentar o aumento do preço do barril de petróleo para um recorde de US$ 98,62 no dia 7 de novembro, levando o Ocidente a pedir à Opep que aumentasse sua produção a fim de conter os preços, e também corroeu o poder de compra dos países-membros do cartel. Temores de que EUA ou Israel, aliado dos norte-americanos, ataquem o Irã, devido a um programa nuclear que, na opinião de potências ocidentais, visaria ao desenvolvimento de armas atômicas, também contribuíram para a alta dos preços. O governo iraniano voltou a negar essas acusações.