O presidente Hugo Chávez confirmou, em ato publicado na edição desta sexta-feira do Diário Oficial da Venezuela, a nacionalização imediata de toda a indústria de cimento do país. Em um pronunciamento transmitido pela TV, na noite desta quinta-feira, Chávez disse que seu governo não pode permitir que companhias privadas exportem o cimento necessário para atacar o grave problema habitacional da Venezuela.
- Se os ricos querem fazer suas casas, podem fazê-las, mas respeitem os outros - disse Chávez, segundo a Agência Bolivariana de Notícias (ABN), ao afirmar que a indústria de cimento deve seguir o caminho socialista.
Chávez afirmou que as empresas receberão o pagamento de uma compensação justa pela nacionalização de um setor que ele classificou como estratégico para o país. Três das principais indústrias de cimento da Venezuela pertencem a grupos estrangeiros. A mexicana Cemex domina quase metade do mercado venezuelano. Quase todo o restante está nas mãos da francesa Lafarge e da suíça Holcim.
A nova medida foi divulgada um dia depois de o governo venezuelano anunciar um novo imposto sobre os lucros extraordinários das empresas petroleiras, que se aplicará quando o preço do petróleo no mercado internacional ultrapassar US$ 70.
No ano passado, Chávez nacionalizou a indústria de petróleo, obrigando as companhias estrangeiras a ceder à estatal PDVSA pelo menos 60% do controle acionário de suas operações nos campos da Faixa do Orinoco - considerada uma das maiores reservas petrolíferas do mundo.
Reforma curricular
Outra medida que está próxima de se tornar realidade na Venezuela é a reforma curricular, muito criticada péla oposição ao governo de Hugo Chavez. Sobre a mudança, o presidente falou:
- Deve acontecer um grande debate durante este ano de 2008, para que no ano que vem aconteça um referendo contrastando dois modelos curriculares.
Para Chavez a reforma é muito importante e uma dívida que o país tem com a história.
- Nunca nos ensinaram a história da Venezuela, quando começou a exploração do petróleo, o caráter histórico de nossa sociedade - afirmou o presidente.