Rio de Janeiro, 31 de Outubro de 2026

Chávez concluiu que oposição obteve 'vitória de Pirro'

Em pronunciamento na manhã de quarta-feira, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse a reforma constitucional proposta por sua administração vai continuar, embora a maioria dos eleitores venezuelanos que compareceu às urnas no referendo deste domingo a tenham rejeitado. (Leia Mais)

Quarta, 05 de Dezembro de 2007 às 09:58, por: CdB

Em pronunciamento na manhã de quarta-feira, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse a reforma constitucional proposta por sua administração vai continuar, embora a maioria dos eleitores venezuelanos que compareceu às urnas no referendo deste domingo a tenham rejeitado.

O parlamento deverá analisar, nos próximos dias, uma versão simplificada das reformas, "por iniciativa popular", disse o socialista, que classificou o desempenho oposicionista nas urnas como uma "vitória de Pirro", expressão utilizada para expressar uma vitória obtida a alto preço, potencialmente acarretadora de prejuízos irreparáveis.

Esta expressão tem origem em Pirro, general grego que, tendo vencido a Batalha de Ásculo contra os Romanos com um número considerável de baixas, ao receber os parabéns pela vitória tirada a ferros, teria dito, preocupado: "Mais uma vitória como esta, e estou perdido."

Socialismo do Século XXI

Chávez reafirmou seu projeto para implantação do "Socialismo do Século XXI" e pediu aos seguidores que levantem o "moral revolucionário", pois "virá uma nova ofensiva".

– No período constitucional eu já perdi o direito de apresentar uma proposta de reforma com iniciativa minha, mas o povo venezuelano tem o poder e o direito de apresentar uma solicitação de reforma antes que termine este período – disse Chávez em um programa da TV pública.

O item mais polêmico da reforma era a ampliação do mandato presidencial de seis para sete anos e o fim do limite à reeleição do mandatário. O presidente também poderia restringir a liberdade de expressão em caso de "emergência". A oposição acusou Chávez de pretender acumular poderes de forma ditatorial, enquanto o governo dizia que a reforma serviria para aprofundar o "poder popular".

O presidente também prometeu entregar o governo ao fim de seu mandato, em 2013, mas disse que não abandonará a vida pública, caso a Constituição – implantada por aliados do governo no Congresso – não seja alterada por iniciativa popular ou do Congresso. Ele admitiu que algumas mudanças propostas, como a criação de novas divisões político-administrativas e de novos tipos de propriedade social, eram "complexas" demais.

Chávez disse ter tomado "solitariamente" a decisão de reconhecer a derrota, pois "se tivessem terminado de contar até as últimas atas (o resultado seria) um empate técnico".

– É o plano do império (EUA) para tentar continuar apresentando aos povos do mundo um Hugo Chávez irascível, cabeça quente (...), que continua sendo um tirano que é preciso matar ou que é preciso derrubar – afirmou.

Chávez acredita que a oposição, fortalecida desta vez pelo movimento estudantil, conseguiu uma "vitória de Pirro".

– (Aos) esquálidos (opositores) que estão fazendo contas, que acham que Chávez está debilitado, que está choroso, que tem a cabeça quente: desçam dessa nuvem, compadre. (...) Aqui tem Chávez para bastante tempo, aqui tem revolução para bastante tempo, a revolução chegou aqui para ficar – concluiu.

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