O projeto de reforma da Constituição venezuelana - que, entre outras alterações, inclui a proposta de fim do limite para reeleição para a presidência da República - foi apresentado na quarta-feira pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Segundo o ministro de Comunicação da Venezuela, William Lara, a reforma tem como objetivo “alcançar mais democracia política (...), econômica e (...) e social”.
O projeto de reforma da Constituição tende a originar um novo confronto entre Chávez, em seu segundo mandato, e a oposição venezuelana. O primeiro grande embate deste ano foi provocado pela decisão do governo venezuelano de não renovar a concessão do canal de televisão privado RCTV.
A reforma constitucional promete reacender a disputa entre governo e oposição. O ponto mais polêmico é a proposta de fim do limite para reeleição do presidente. Para a oposição, a proposta atenta contra a democracia e impossibilitaria a alternabilidade na Presidência, o que na opinião de líderes opositores significa entregar à Chávez a presidência vitalícia.
O governo, por sua vez, afirma que a reforma aprofundará a democracia e ressalta que a reeleição não é automática, já que “o povo decidirá nas urnas”.
– Tomara que os setores que se opõem ao presidente Chávez façam propostas concretas ao texto da reforma – disse William Lara.
O ministro de Comunicação afirmou que o mecanismo da reforma será “perfeitamente ajustado” à Constituição e que as mudanças introduzidas na Carta Magna têm como objetivo “adequar aos novos tempos a Constituição bolivariana". A atual Constituição, vigente desde 1999, permite apenas uma reeleição imediata, com período de seis anos para cada mandato.
O Parlamento receberá o projeto de lei e deverá aprovar ou rechaçar o documento. Após ser submetida à avaliação da Assembléia Nacional, a reforma constitucional deverá ser ratificada em uma consulta popular a ser convocada pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE). De acordo com a presidente da Assembléia Nacional, Cilia Flores, a consulta popular poderia ser realizada até o final deste ano, o que significa que os parlamentares contam com pouco mais de três meses para revisar o projeto.
Após muita expectativa, Chávez decide anunciar o projeto de reforma no dia em que se comemorou três anos de sua vitória no referendo revogatório convocado pela oposição em 2004. Na ocasião, o presidente venezuelano teve seu mandato ratificado por 60% dos votos. Uma manifestação de simpatizantes do governo deverá ser realizada em frente à Assembléia Nacional. Em seu discurso, Chávez detalhou as modificações que sugere à Carta Magna.
A nova Constituição deverá conceder o caráter socialista ao país, conforme anunciou há alguns meses o presidente. Entre outros aspectos, há a proposta de criação de um poder adicional, o Poder Popular, que seria formado pelos chamados Conselhos Comunitários. Desta maneira, o Poder Popular seria acrescentado na escala dos três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário). Sobre o caráter jurídico da propriedade, poderia aparecer o termo "propriedade social", adicional à caracterização de propriedade estatal e privada.