Rio de Janeiro, 23 de Abril de 2026

Charges continuam causando mortes e conflitos internacionais

Terça, 07 de Fevereiro de 2006 às 08:43, por: CdB

A Dinamarca pediu na terça-feira que seus cidadãos deixem a Indonésia, o país muçulmano mais populoso do mundo, enquanto continua a se espalhar a onda de indignação islâmica devido às charges sobre o profeta Maomé, com manifestações na Europa, no Oriente Médio e na Ásia. Um dia depois de o Irã ter anunciado que romperia relações comerciais com a Dinamarca, onde os desenhos apareceram pela primeira vez, o embaixador do país europeu na Indonésia pediu aos dinamarqueses que saiam dali a fim de evitar eventuais ameaças.

Novos protestos também surgiram no Paquistão e no vizinho Afeganistão, onde uma base usada por forças de paz da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) da qual participam soldados noruegueses foi atacada por uma multidão em fúria.

- O Ministério das Relações Exteriores pede que os dinamarqueses não viajem para a Indonésia e que os dinamarqueses já na Indonésia deixem o país - afirmou à agência Reuters o embaixador Niels Erik Andersen.

Segundo Andersen, bandeiras da Dinamarca e fotos do primeiro-ministro do país foram queimadas em três cidades indonésias. Há cerca de 250 cidadãos dinamarqueses identificados na Indonésia, mas, segundo o embaixador, o número real deve ser maior. Nessa época do ano, regiões turísticas da Ásia atraem grande número de escandinavos, que fogem do longo inverno de suas terras.

A Dinamarca transformou-se no foco dos protestos de muçulmanos desde que as imagens, uma delas mostrando Maomé com um turbante que lembra uma bomba, apareceram em um jornal do país. Os desenhos depois foram republicados em outros diários europeus e não europeus. Representar a imagem do profeta é algo proibido pelo islã, mas os muçulmanos moderados, apesar de condenarem os desenhos, mostraram temer que o assunto fosse sequestrado por radicais.

Ao menos sete pessoas já foram mortas em manifestações ligadas com a polêmica, uma na Somália, uma no Líbano e cinco no Afeganistão. A violência também atingiu cidades da Europa e do Oriente Médio.

Na Grã-Bretanha, um manifestante que participou de protestos na semana passada vestido como homem bomba foi preso nesta terça-feira. Omar Khayam, de 22 anos, estava em regime de liberdade condicional, depois de ter sido condenado em 2002 por tráfico de drogas. Ele teve a liberdade condicional suspensa.

ATAQUE À BASE DA OTAN

A última morte registrada aconteceu nesta terça-feira, no Afeganistão, quando uma multidão atacou uma base dirigida por soldados noruegueses em Maymana, Província Faryab.

- Quando a multidão tentou entrar na base, as forças usaram meios defensivos para detê-la - afirmou um porta-voz da Força Internacional de Assistência para a Segurança (Isaf), liderada pela Otan.

Uma pessoa morreu e várias ficaram feridas quando a polícia disparou para dispersar a multidão com cerca de mil manifestantes, relatou o chefe da polícia provincial, Khaliullah Ziaye. No Paquistão, dois protestos em áreas de fronteira com o Afeganistão atraíram cerca de 5.000 pessoas cada um.

O Irã, que retirou da Dinamarca seu embaixador, disse que as charges haviam "lançado uma onda antiislâmica e islamofóbica que será respondida".

RETALIAÇÃO

O jornal mais vendido do Irã lançou uma competição para encontrar a melhor caricatura sobre o Holocausto, em um gesto de retaliação pela publicação em jornais europeus de charges do profeta Maomé. O diário Hamshahri disse que o concurso foi pensado para testar os limites da liberdade de expressão,  motivo dado por muitos jornais europeus para publicar as caricaturas de Maomé.

 "Uma questão séria para os muçulmanos...é essa: Será que a liberdade de expressão ocidental permite lidar com assuntos como a América e os crimes de Israel ou um incidente como o Holocausto ou essa liberdade de expressão se aplica somente para insultar os valores sagrados de religiões divinas?'", perguntou o jornal nesta

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