O ministro das Relações Exteriores sul-coreano, Ban Ki-moon, disse nesta terça-feira que pretende concorrer ao posto de secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), transformando-se assim em um dos primeiros a declarar abertamente sua candidatura para a sucessão de Kofi Annan. Ban, 61, ocupa o cargo de chanceler desde janeiro de 2004 e também trabalhou como embaixador do país junto à ONU. Ele afirmou ter recebido um convite para ser o candidato do país asiático ao cargo, a fim de ajudar a aumentar a contribuição da Coréia do Sul dentro do órgão mundial.
- Aceito isso humildemente - disse em uma entrevista coletiva, acrescentando que usaria seu cargo de ministro das Relações Exteriores para realizar uma discreta campanha.
O segundo mandato de cinco anos de Annan termina no dia 31 de dezembro e a tradição da ONU prevê que o cargo passe a ser ocupado por alguém vindo de outra região do globo, segundo um esquema de rotação. A maior parte dos países acredita que agora seria a vez da Ásia.
Diplomata de carreira, Ban nasceu em uma região rural pobre, fala inglês com fluência e, recentemente, impressionou uma platéia em Paris ao fazer um discurso em francês. Segundo analistas, o sul-coreano é conhecido por buscar o consenso e por evitar discursos apaixonados. Ban é considerado também uma pessoa que não busca os holofotes e que prefere os caminhos da diplomacia discreta.
Dois outros asiáticos já se declararam candidatos ao comando da ONU. São eles o vice-primeiro-ministro da Tailândia, Surakiart Sathirathai, e o diplomata do Sri Lanka Jayantha Dhanapala. Entre os outros prováveis candidatos estão o ministro das Relações Exteriores de Timor Leste, José Ramos-Horta, o ex-presidente polonês Aleksander Kwasniewski, e a presidente da Letônia, Vaira Vike-Freiberga.
Os EUA defendem que o próximo secretário-geral seja escolhido independentemente da região de que venha.
- Recebemos com satisfação a candidatura do chanceler Ban - afirmou a embaixada norte-americana em Seul.
A China afirmou ser favorável a um candidato asiático. Em Bangcoc, o Ministério das Relações Exteriores da Tailândia pediu que a Ásia apresente um candidato único.
Richard Holbrooke, ex-embaixador dos EUA junto à ONU, afirmou em um artigo publicado no jornal Washington Post em 3 de fevereiro que o substituto de Annan deve, quase com certeza, vir da Ásia. "Ninguém que não seja aceito pela China e pelos EUA conseguirá essa vaga. E os dois países possuem opiniões bastante diferentes sobre qual deve ser o papel da ONU ", escreveu Holbrooke.
O governo chinês, que possui poder de veto sobre qualquer candidato em potencial por ser um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, não deixará que o cargo vá para alguém que não seja asiático, afirmou o norte-americano. Os outros membros permanentes do Conselho de Segurança, França, Rússia, Grã-Bretanha e EUA, também possuem poder de veto. Os norte-americanos afirmam desejar um reformista para o cargo. Segundo analistas, Ban é respeitado pela China e pelos EUA, mas seria difícil para o governo chinês aceitá-lo devido aos laços militares da Coréia do Sul com os norte-americanos. O último asiático a ocupar a vaga de secretário-geral foi U Thant, de Burma (hoje Mianmar), entre 1961 e 1971.