Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Chanceler integra debate sobre alternativas ao capitalismo mundial

Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim participou, nesta quinta-feira, na capital francesa, da abertura do simpósio Novo Mundo, Novo Capitalismo, organizado pelo Ministério da Imigração, Integração, Identidade Nacional e do Desenvolvimento Solidário da França. (Leia Mais)

Quinta, 07 de Janeiro de 2010 às 11:56, por: CdB

Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim participou, nesta quinta-feira, na capital francesa, da abertura do simpósio Novo Mundo, Novo Capitalismo, organizado pelo Ministério da Imigração, Integração, Identidade Nacional e do Desenvolvimento Solidário da França. Em seguida, como parte da programação do simpósio, integrou a mesa-redonda Enfrentamos Bem a Crise? e, no início da tarde, o chanceler brasileiro participou de reunião-almoço com o conselheiro diplomático Jean David Levitte, do presidente da França.

Um dos primeiros a se pronunciar no simpósio, o primeiro-ministro José Sócrates defendeu um "governo económico da Europa" e afirmou que a resposta à crise mundial provou a importância do "bom e velho Estado".

– A resposta à crise esteve à altura das circunstâncias – considerou o primeiro-ministro português na abertura do simpósio realizado na Escola Militar em Paris, durante dois dias.

José Sócrates e o chefe de Estado francês, Nicolas Sarkozy presidiram à segunda edição deste simpósio, organizado pelo ministro da Imigração e da Identidade Nacional francês, Éric Besson.

Capitalismo amoral

Na edição deste mesmo simpósio, ano passado, no anfiteatro da velha Escola Militar, participaram, entre outras figuras conhecidas dos meios políticos, econômicos e empresariais europeus, Sarkozy (como anfitrião), o ex-primeiro-ministro Inglês Tony Blair e a premiê alemã, Angela Merkel. Sarkozy fez ataques ao capitalismo financeiro, que acusou de amoral, e propôs a refundação de um capitalismo baseado no trabalho e na produção.

Angela Merkel declarou que a crise terá como consequência o endividamento dos Estados, embora tenha reconhecido, sem qualquer constrangimento, que essa é a única maneira de enfrentar o desafio causado pela derrocada do sistema a partir dos Estados Unidos. Ela atacou, tal os demais oradores, os desmandos do sistema financeiro internacional, que responsabilizou pela crise, e propôs a criação de Conselho de Segurança das Nações Unidas para a área econômica, um conselho económico mundial que guarde pela estabilidade do sistema, ou uma "declaração universal para a economia razoável" semelhante à Declaração Universal dos Direitos do Homem.

Merkel também afirmou que nenhuma das instituições, formais ou informais, atualmente existentes estava em condições de desempenhar este papel. Mesmo Blair, que imiscuiu o socialismo no movimento econômico internacional conhecido como a Terceira Via, reconheceu que a atual situação tem a vantagem de permitir criar algo de novo que impeça os erros do passado.

Sarkozy abriu o evento e incluiu o Brasil diversas vezes em seu discurso. Diante de Amorim, e por duas ocasiões, lembrou da admiração e da amizade que mantém com o presidente Lula e o Brasil.

– Quem pode pensar que, hoje, podemos resolver os problemas do mundo sem o Brasil? – questionou, ao defender a inclusão dos grandes países emergentes no Conselho de Segurança e o alargamento do G-8 (o grupo dos oito países mais ricos do mundo) para o G20, que inclui emergentes, como o Brasil.

Amorim, no entanto, negou que houvesse interesses por trás dos elogios de Sarkozy. Para ele, fazer uma relação entre as palavras do presidente francês e o possível fracasso da venda dos caças Rafale seria "pensar pequeno". O brasileiro foi um dos palestrantes da primeira mesa-redonda do evento e, em francês, defendeu a maior inserção dos emergentes na governança global.

Aviso

Na véspera, em Genebra, o chanceler Celso Amorim, após encontro com autoridades da Palestina, admitiu que o Brasil deseja estabelecer um diálogo com o grupo Hamas, taxado de terrorista por vários países do Ocidente, e visa participar do monitoramento de eventual relançamento de um processo de paz no Oriente Médio. Mas foi alertado pelo governo da Autoridade Palestina sobre os riscos de uma aproximação com o grupo islâmico sugerir uma capa de legitimidade internacional aos radicais daquela facção.

– Qualquer aproximação com o Hamas hoje pode ser interpretada pelo Hamas como uma espécie de fraqueza da comunidade internacional e um sinal de reconhecimento do sistema de facto criado em Gaza por meio da força e de um golpe. Por isso, os países devem ter cuidado – disse o ministro das Relações Exteriores da Autoridade Palestina, Riad Malki, após encontro com Amorim.

Na pauta do encontro, a presença brasileira no monitoramento de um processo de paz na região. Entre os resultados da reunião ficou a agenda de uma conferência mundial no Brasil, com a diáspora palestina, e a confirmação da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos territórios palestinos, Israel e Jordânia em março.

– Sempre sentimos que muitos países têm o direito de dar sua contribuição para o processo de paz. Se o Brasil quiser ter esse papel, devemos considerar. Isso ajudará o processo de paz – afirmou o palestino a jornalistas.

Amorim confirmou o objetivo de deixar o Itamaraty como encarregado de monitorar um ou outro aspecto do tratado de paz entre árabes e israelenses.

O chanceler advertiu que não há "soluções mágicas" e o Brasil não pretende ser o principal protagonista da cena.

– As soluções estão lá. Já sabemos o que podemos obter como resultado. Mas a questão é como é que será a implementação do processo de paz. E não reinventar o processo – concluiu.

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