Rio de Janeiro, 19 de Setembro de 2026

Chanceler brasileiro pede explicações ao Canadá sobre denúncia de espionagem

Segunda, 07 de Outubro de 2013 às 07:54, por: CdB
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Embaixador do Canadá no Brasil, Jamal Khokhar foi chamado ao Itamaraty
O ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo Machado, convocou o embaixador do Canadá no Brasil, Jamal Khokhar, nesta segunda-feira, para prestar esclarecimentos sobre a denúncia de que comunicações eletrônicas e telefônicas do Ministério das Relações Exteriores foram alvo de espionagem por mecanismos da inteligência canadense. Em nota divulgada pelo Itamaraty, o ministro manifesta a “indignação” do governo brasileiro e classifica a ação de inaceitável e grave. “O ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo Machado, convocou hoje, 7 de outubro de 2013, o embaixador do Canadá em Brasília (Jamal Khokhar) para transmitir a indignação do governo brasileiro e requerer explicações sobre a notícia de que as comunicações eletrônicas e telefônicas do Ministério de Minas e Energia e de alto funcionário do Ministério das Relações Exteriores estariam sendo objeto de espionagem por órgão de inteligência canadense”,diz o texto. De acordo com a nota, Figueiredo classifica a ação de inaceitável e grave. “O chanceler brasileiro manifestou ao Embaixador canadense o repúdio do governo a essa grave e inaceitável violação da soberania nacional e dos direitos de pessoas e de empresas.” A invasão foi revelada por documentos repassados ao jornalista norte-americano Glenn Greenwald por Edward Snowden - ex-funcionário de uma prestadora de serviço da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos Estados Unidos que revelou as ações de inteligência e hoje está asilado na Rússia. Conforme reportagem veiculada pelo programa de televisão Fantástico, da Rede Globo, a Agência Canadense de Segurança em Comunicação (CSEC, na sigla em inglês) teria espionado telefonemas, e-mails e sites na internet do ministério, que foram mapeados em detalhes. Os documentos não mostram se houve acesso aos conteúdos nem especifica o período em que as interceptações teriam sido feitas, mas trazem os contatos feitos pela pasta para órgãos dentre e fora do Brasil. Cobrança Em seu perfil no Twitter, a presidenta Dilma já havia dito, nesta segunda-feira, que o Itamaraty iria exigir explicações do Canadá a respeito de nova denúncia de espionagem, desta vez envolvendo o Ministério das Minas e Energia, cuja rede de dados teria sido invadida pela Agência de Segurança e Comunicação canadense. "É urgente que os Estados Unidos e seus aliados encerrem suas ações de espionagem de uma vez por todas", escreveu a presidente em seu perfil no Twitter. "A espionagem atenta contra a soberania das nações e a privacidade das pessoas e das empresas. Isso é inadmissível entre países que pretendem ser parceiros. Repudiamos a guerra cibernética." A pedido de Dilma, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou por meio de nota que vai reforçar os sistemas de proteção de dados da pasta após a denúncia de atos de espionagem do Canadá. Reincidência A denúncia se soma a outros dois casos em que documentos de Snowden apontaram espionagem do governo americano em território brasileiro: o da estatal Petrobras e o da própria presidente Dilma . Segundo o ex-presidente da Eletrobras Pinguelli Rosa, as informações podem servir a empresas que concorrem a leilões e podem dar vantagem competitiva a quem espiona. As denúncias de espionagem da NSA levaram os Estados Unidos e o Brasil a um impasse diplomático. O Brasil exigiu um pedido formal de desculpas e Dilma cancelou sua visita de chefe de Estado aos EUA, a única oferecida pelo governo dos EUA a um líder estrangeiro, em outubro deste ano. Dilma também fez um discurso duro ao abrir o debate da 68ª Assembleia Geral da ONU . Após chamar o episódio de “grave violação dos direitos humanos e das liberdades civis” e uma “afronta aos princípios que devem guiar as relações entre os países”, a presidente anunciou que o Brasil apresentará propostas para o estabelecimento de um marco civil multilateral para a governança e uso da internet para assegurar a efetiva proteção dos dados que navegam pela internet. Neste domingo, Dilma usou o Twitter para fazer novas críticas à espionagem e cobrar explicações.
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